Ferdowsi: o legado de um poeta inigualável

15/05/2022


Hoje, 15 de maio (25 de Ordibehesht, no calendário persa), é o dia que os iranianos celebram o Dia Nacional do poeta Ferdowsi, que é  considerado também o Dia da Língua Persa

Hakim Abol Qasem Ferdowsi Tousi, nasceu em Khorasan em um vilarejo perto de Tus (Nordeste do Irã), no ano de 935. Seu grande épico, o Shahnameh,"O Livro dos Reis", ao qual ele dedicou a maior parte de sua vida, foi originalmente composto sob patrocínio dos príncipes samânidas de Khorasan, que eram os principais instigadores da revitalização das tradições culturais persas após a conquista árabe do século VII. Durante a vida de Ferdowsi esta dinastia foi derrubada pelos turcos Ghaznévidas, e há várias histórias em textos medievais que descrevem a falta de interesse demonstrada pelo novo governante de  Mahmoud de Ghaznavi, pelo trabalho do poeta Ferdowsi.

Diz-se que Ferdowsi morreu por volta do ano 1020 na pobreza e amargurado pela negligência real, embora confiante em sua fama e em seu último poema. O Shahnameh, além de ser um épico nacional é um dos grandes clássicos da literatura mundial que conta a saga dos heróis da antiga Pérsia. A forma e estilo com que o poeta descreve os eventos leva os leitores de volta aos tempos antigos e faz com que estes sintam-se vivenciando os eventos. Ferdowsi trabalhou durante trinta anos para terminar esta obra-prima e é considerado como o maior poeta persa que já viveu.

Estátua de Ferdowsi em Teerã
De acordo com o poeta Nezami (1141-1209), Ferdowsi era um dehqan (classe de fazendeiros aristocratas extremamente patriotas), de onde obtinha uma renda confortável a partir de suas propriedades. Ele tinha apenas uma filha, e foi para fornecer a ela um dote que ele se lançou à tarefa que o ocupou por mais de 30 anos (outras fontes contam que ele também teve um filho que morreu aos 37 anos a quem ele dedicou uma elegia que foi incluída no Shahnameh). 

O Shahnameh de Ferdowsi, um poema com cerca de 60.000 versos (o maior já escrito por um único poeta), é baseado principalmente em uma obra em prosa de mesmo nome e foi compilada no início da vida adulta do poeta em Tus, sua terra natal. Este Shahnameh em prosa era em grande parte a tradução de uma obra Pahlavi (Médio persa), o Khvatay-Namak, uma história dos reis da Pérsia desde os tempos míticos até o reinado de Khosrow II (590-628 EC), mas também continha material adicional continuando a história até a derrubada do sassânidas pelos árabes em meados do século VII.

O primeiro a realizar a versificação desta crônica da Pérsia pré-islâmica e lendária foi Daqiqi, um poeta da corte dos samânidas, que teve um fim trágico após completar apenas 1.000 versos. Estes versos, que tratam da ascensão do profeta Zoroastro, foram mais tarde incorporados por Ferdowsi, com confirmações devidas, em seu próprio poema. Uma característica importante deste trabalho é que, durante o período em que o árabe foi conhecido como a principal língua da ciência e da  literatura, Ferdowsi utilizou-se apenas do persa em sua obra-prima. Como diz o próprio Ferdowsi "a língua persa é revivida por este trabalho". 


Ferdowsi e os poetas da corte Ghaznévida

Segundo a lenda, o sultão Mahmoud de Ghazni ofereceu a Ferdowsi uma peça de ouro para cada verso do Shahnameh. O poeta concordou em receber o dinheiro de uma só vez quando terminasse o trabalho pois, ele planejava usá-lo para reconstruir os diques de Tus, sua cidade. Depois de trinta anos de trabalho, Ferdowsi terminou a sua obra-prima, o Shahnameh,  em 1010, e foi apresentá-la a Mahmoud, que nessa época havia se tornado governador de Khorasan. 

De acordo com Nezami, Ferdowsi veio a Ghazni pessoalmente e através dos serviços do ministro Ahmad Ebn Hasan Meymandi foi capaz de garantir a aceitação do poema perante o sultão. Porém, infelizmente, Mahmoud  consultou certos inimigos do ministro que sugeriram como  recompensa para o poeta a desprezível quantia de  50.000 dirhams, e mesmo assim, ainda disseram que era demais, em vista de suas doutrinas xiitas consideradas heréticas na época. Mahmoud, um sunita fanático, foi influenciado por essas palavras, e no final Ferdowsi recebeu apenas 20.000 dirhams. Amargamente desapontado, ele foi para o banho público e, ao sair, foi tomar um gole de foqa (um tipo de cerveja) e acabou dividindo todo o dinheiro entre o atendente da casa de banhos e do vendedor do foqa

Temendo a ira do sultão, ele fugiu, primeiro para Herat, onde se escondeu por seis meses, e depois, pelo caminho de Tus, para Mazandaran, onde encontrou refúgio na corte de Shahreyar Sepahbad, cuja família reivindicava ser dos últimos descendentes dos sassânidas (a última dinastia pré-islâmica do Irã). Ali, Ferdowsi compôs uma sátira de 100 versos sobre o sultão Mahmoud que  inseriu no prefácio do Shahnameh e o leu  para Shahreyar, ao mesmo tempo, oferecendo-se para dedicar o poema a ele, como um descendente dos antigos reis da Pérsia, em vez de Mahmoud. Shahreyar, no entanto, convenceu-o a retirar a sátira a Mahmoud, e comprou-a pelo valor de 1.000 dirhams por verso. O texto integral desta sátira, tendo todos os sinais de autenticidade, sobreviveu até o presente. 

De acordo com a narrativa de Nezami, Ferdowsi morreu intempestivamente, assim como o sultão Mahmoud havia resolvido pedir desculpas ao poeta, enviando-lhe 60.000 dinares, mas quando a caravana levando o dinheiro chegou em Tus, reuniu-se um cortejo fúnebre: o poeta havia morrido. Nezami não menciona a data da morte de Ferdowsi. A primeira data determinada pelas autoridades é 1020 e a mais recente é 1026,  só se sabe ao certo que ele viveu  mais de 80 anos. 

Ferdowsi foi enterrado em seu próprio jardim, no cemitério muçulmano de Tus onde um governador Ghaznávida de Khorasan construiu um mausoléu sobre o túmulo que se tornou um local reverenciado. O túmulo, que havia entrado em decadência após séculos, foi reconstruído entre 1928 e 1934 sob as ordens do Xá Reza e agora se tornou o equivalente a um santuário nacional. 


Túmulo de Ferdowsi na cidade de Tus 

O Legado de Ferdowsi

Os persas consideram Ferdowsi como o maior dos seus poetas. Durante quase mil anos os persas continuaram a ler e ouvir recitações de sua obra-prima. É a história do passado glorioso do Irã, preservada no verso sonoro e majestoso. Apesar de escrito a cerca de 1.000 anos atrás, este trabalho é tão inteligível para os modernos falantes do persa quanto a versão do Rei James da Bíblia  para um moderno falante do inglês. A linguagem original é o Pahlavi, um  persa puro com  uma mistura mínima do árabe. 
- Encyclopædia Britannica
Depois do Shahnameh de Ferdowsi  uma série de outras obras semelhantes  surgiram ao longo dos séculos dentro da esfera cultural da língua persa. Sem exceção, todas essas obras foram baseadas no estilo e no método do épico, mas nenhum deles conseguiu alcançar o mesmo grau de fama e popularidade como a obra-prima de Ferdowsi.

Ferdowsi tem um lugar único na história persa por causa dos avanços que ele fez em revitalizar e regenerar as tradições linguísticas e culturais persas. Seus trabalhos são responsáveis por manter grande parte da língua persa preservada. A este respeito, Ferdowsi supera todos os outro poetas que viveram depois dele. Muitos iranianos modernos o consideram como o pai da língua persa moderna. Além do Irã, ele é reverenciado também no Afeganistão e no Tadjiquistão.

Ferdowsi  inspirou o Xá Reza Pahlavi na criação da "Academia de Cultura" no Irã, para tentar remover palavras em árabe e turco da língua persa, substituindo-as por alternativas adequadas em persa. Em 1934, o Xá  instituiu uma cerimônia em Mashhad,  na província de Khorasan para comemorar mil anos de literatura persa desde a época de Ferdowsi, intitulada Ferdowsi Millenary Celebration convidando notáveis ​​estudiosos europeus e iranianos. Em Mashhad, há uma universidade criada em 1949 que também leva o nome de Ferdowsi.


🔗 Fontes:  Iranchamber e Wikipedia

🔎 Saiba mais: Infelizmente ainda não existe nenhuma tradução do Shahnameh de Ferdowsi para o português. Deixo aqui sugestões de duas famosas traduções em inglês: 

   📘 Shahnameh: The Persian Book Of Kings
    Uma das edições mais completas, traduzida por Dick Davis (2016)
    (Compre pela Amazon)

  📘 Shahnameh: The Epic of the Persian Kings
    Edição super luxuosa traduzida por Ahmad Sadri e ilustrado por Hamid Rahmanian  (2013)
    (Compre pela Amazon)


------------------------------------------------------------------------------------

APOIE A DIVULGAÇÃO GRATUITA DA CULTURA DO IRÃ NO BRASIL  

Desde 2012, o blog Chá-de-Lima da Pérsia, é a única fonte em língua portuguesa dedicada exclusivamente a divulgação da cultura do Irã.

Neste momento desafiador, preciso muito do seu apoio para continuar desenvolvendo o meu trabalho de levar até você o melhor da cultura do Irã, e para que juntos possamos fazer um blog cada vez mais moderno, dinâmico e atualizado. 

Se você considera o nosso trabalho importante, você pode nos apoiar fazendo uma doação:

LIVE: O Poeta Ferdowsi e as Histórias do Shahnameh

13/05/2022


🗓️ NESTE DOMINGO, 15/05 ÀS 17H!


LIVE: O Poeta Ferdowsi e as Histórias do Shahnameh


Neste domingo 15/05 (25 de Ordibehesht no calendário iraniano) é celebrado o Aniversário do Poeta Ferdowsi e também o Dia da Língua Persa

Durante quase mil anos, os iranianos continuaram a ler e ouvir recitações da grande obra prima de Ferdowsi, o Shahnameh (O Livro dos Reis).
O poeta é considerado como o patrono da língua persa, porque seu trabalho é responsável por manter preservado o patrimônio cultural e linguístico dos persas. Mas, apesar de ser um dos maiores poetas que já viveram, infelizmente muito pouco se ouve falar dele aqui no Brasil.

Neste bate papo vamos conhecer algumas histórias do Shahnameh de Ferdowsi e sua importância para a cultura do Irã e para a literatura mundial.


🔴 A transmissão será ao vivo pelo YouTube. Inscreva-se e ative as notificações! 


O Dia Nacional do Golfo Pérsico no Irã

30/04/2022



Você sabia? Hoje é comemorado o Dia Nacional do Golfo Pérsico (em persa, Ruz-e Melli-e Khalij-e Fars).

A data que este ano cai no dia 30 de Abril (10 de Ordibehesht no calendário persa) foi proclamada em 2004 e é marcada por várias cerimônias em todo o Irã, especialmente nas cidades costeiras do sul.

O Golfo Pérsico é uma extensão do Oceano Índico situada entre o Irã  e a Península Arábica com uma área total de 251.000 km². O golfo Pérsico e suas áreas costeiras são a mais rica e mais usada fonte de petróleo do mundo.

Mapa de Abraham Ortelius, datado de 1580 usando o termo “Persicus” (MAR MESENDIN anteriormente Sinus Persicus) 

Qual é o correto: Golfo Pérsico ou Golfo Árabe ?


De acordo com o livro Documentos sobre o nome do Golfo Pérsico: a eterna herança dos tempos antigos,  o termo Golfo Pérsico e seus equivalentes têm sido utilizados  desde 400 a.C, mas em 1964, a Liga Árabe ratificou a mudança do nome para  Golfo Árabe.

Aparentemente, esta mudança não foi aceita por alguns países árabes, mas após a guerra Irã-Iraque, a decisão foi tomada o que deixou os iranianos irritados, especialmente quando os árabes tentaram usar o nome Golfo Árabe nos meios de comunicação ingleses.

Depois de muitos encontros e seminários, ONG's e geógrafos do Irã pediram ao governo para preservar o nome histórico do Golfo Pérsico. Finalmente, a República Islâmica do Irã em 2004, oficialmente designou o dia  30 de abril como o "Dia Nacional  do Golfo Pérsico", a decisão foi tomada pelo Conselho Superior da Revolução Cultural, presidida pelo ex-presidente Mohammad Khatami

A data escolhida coincide com o aniversário de uma campanha militar bem-sucedida contra a marinha portuguesa na Reconquista de Ormuz (1622). Por mais de um século, a ilha de Ormuz no Golfo, permaneceu sob controle dos portugueses, mas eles foram derrotados e forçados a se retirar pelas forças iranianas de Shah Abbas.

Imagem de satélite do Golfo Pérsico


O Golfo Pérsico em documentos históricos


Não há nenhum documento escrito anterior ao antigo Império Persa, mas na história e cultura oral, os iranianos sempre chamaram as águas do sul de Mar Jam, Mar do Irã ou Mar de Pars.

No relato de viagem de Pitágoras (c. 570- 496 a.C.), vários capítulos estão relacionados a uma descrição de suas viagens, acompanhadas pelo rei Dario, o Grande, a Susa e Persépolis, descrevendo a região. 

Entre outros documentos históricos importantes, no mapa-múndi de Hecateu (472 a 509 a.C.) o Golfo Pérsico foi claramente indicado. Ao mesmo tempo, muitos mapas e escrituras elaborados até o século VIII por cientistas e pesquisadores geográficos como Heródoto (484-425 a.C.).

No período islâmico, Mohammad Ibn Mousa Kharazmi, Abou Yousef Eshagh Kandi, Ibn Khardazabeh, Harrani (Batani), e outros, mencionam que há um largo mar ao sul do Irã chamado Mar de Pars,  Golfo de Pars, Bahre Fars, Sinus Persicus e Mare Persicum etc.

Na legenda: "Original e  reprodução de um mapa babilônio de c.2500 a.C. Os babilônios acreditavam que a Terra era um disco plano cercado por um rio de águas salgadas (i.e. Golfo Pérsico). Textos do Armenian Atlas e da Children & Youths Encyclopedia, Ed. Russa." 


O Golfo Pérsico nos atlas históricos


Em todos os importantes mapas históricos e Atlas, sejam modernos ou pertencentes a séculos anteriores, o corpo de água localizado ao sul do Irã sempre foi registrado como Golfo Pérsico. Nos países árabes até os 70, essa nomenclatura também sempre foi utilizada: 

Por exemplo, no Atlas Alaragh fi Alkhavaret Algadimeh do Dr. Ahmad Souseh (Bagdá 1959), incluindo 40 mapas entre as fontes árabes da Idade Média. Além disso, nos mapas apresentados pelos países árabes ao Tribunal Internacional do Judiciário para acertos de reivindicações de fronteira, o nome do Golfo Pérsico é mencionado.

O livro: Osoul Alkuwait Almanshour Alalam (1991) publicado na Holanda também contém 15 mapas onde existe o nome do Golfo Pérsico. No Atlas da "História do Islã" (1951-55 América e Egito), o nome Golfo Pérsico foi mencionado 16 vezes.

Além disso, cerca de 30 Atlas registraram o nome do Golfo Pérsico nos últimos 30 anos, como Atlas de Thomas Herbert (1628), Atlas de Pars, Universidade de Lousaj (1863), Atlas da Alemanha (1861), Pars Envile Atlas (1760), Atlas of Modern Geography (1890), Atlas of London (1873), Atlas of Ernest Embrosius (1922), Atlas of Bilefild (1899) e Atlas of Harmsorth (séc. XIX,  Londres).

Ilha Qeshm, Golfo Pérsico, Irã | Foto: Ninara (CC BY 2.0)


🔗 Fontes: Wikipedia | Tehran Times 

---------------------------------------------------------------------

 💞 Este é um artigo inédito em língua portuguesa que você só encontra aqui no blog Chá-de-Lima da Pérsia. Se você também é fã da cultura do Irã e considera importante o nosso trabalho, saiba aqui como você pode apoiar o blog. 

LIVE: 12 Motivos para Viajar para o Irã

29/04/2022



🗓️ NESTE SÁBADO, 30/04 ÀS 17H!

LIVE: 12 Motivos para Viajar para o Irã

Embora seja considerado como um dos destinos turísticos mais fascinantes do planeta, o Irã ainda é muito pouco procurado pelos brasileiros talvez pela falta de informações.


Vamos bater um papo onde eu responderei todas as suas perguntas sobre viajar para o Irã! 


🔴 A transmissão será ao vivo pelo YouTube. Inscreva-se e ative as notificações! 

Breves Histórias sobre o Irã - Os Azulejos

23/04/2022


Salam amigos! Já está no ar o terceiro episódio de Breves Histórias sobre o Irã, o  nosso quadro mensal em parceria com a História in Casa - TV de História Pública


Nesta série, vamos abordar temas da arte, cultura e história deste país tão fascinante e tão pouco compreendido que é o Irã. 


E no episódio de hoje, eu vou contar uma breve história de uma forma de arte decorativa que ocupa lugar de destaque no Irã: os Azulejos!

Inscreva-se em nosso Canal no Youtube e ative o lembrete 🔔 para não perder os novos vídeos:


5 Jardins Famosos de Shiraz

18/04/2022


 
A cidade de Shiraz capital da província de Fars, é conhecida pelos iranianos como "cidade dos jardins", devido ao grande número de jardins que a cidade abriga.


Historicamente, os jardins sempre tem sido uma parte fundamental da arquitetura e paisagismo dos persas. Esses magníficos jardins eram pensados como lugar de tranquilidade espiritual e também para reunião de amigos, de modo a ser, essencialmente, um "paraíso na terra".


No post de hoje, conheça alguns dos famosos jardins persas que são atrações turísticas da cidade de Shiraz:


1- Jardim Afifabad 


Jardim Afifabad | Foto do site Iran SG Group

No afluente distrito de Afif-Abad de Shiraz, o complexo que antigamente era conhecido como Jardim Gulshan, foi construído em 1863. Contém uma antiga mansão real, um museu de armas histórico e um jardim persa.

2 - Jardim Delgosha 


Jardim Delgosha  | Foto do site Iran Destination


No período Safávida, era um dos jardins mais famosos de Shiraz, mas alguns dos edifícios do complexo foram construídos na dinastia Qajar. A mansão do jardim foi construída no estilo dos palácios sassânidas de Bishapur e a maioria das árvores do jardim são de frutas cítricas.

3- Jardim Eram 


Jardim Eram | Foto do site Going Iran


O suntuoso edifício e o jardim Eram foram construídos em meados do século XIII por um líder das tribos Qashqai, mas sua estrutura provavelmente é mais antiga. Atualmente o complexo está dentro do Jardim Botânico da Universidade de Shiraz .

4 - Jardim Jahan Nama 


Jardim Jahan Nama | Foto do site Mizan News



Localizado na entrada da cidade de Shiraz, este jardim foi construído no período Zand (século XVIII). Possui o arranjo clássico de um jardim persa com ciprestes, laranjeiras e roseiras e um belo pavilhão octogonal.

5 - Jardim Naranjestan 


Jardim Naranjestan | Foto do site Iran SG Group


A Casa Ghavam também conhecida como Narenjestan (laranjal em persa), foi construída no século XIX e pertenceu a uma importante família de mercadores. A casa possui pinturas com influência europeia, uma fachada de azulejos e uma varanda de espelhos que se abre para o jardim com tamareiras e flores coloridas. 

Qual desses jardins de Shiraz você mais gostaria de conhecer? Deixe um comentário! 

 🛫Quer viajar para o Irã em 2022? 


A parceria Azizam Tour e Chá-de-Lima da Pérsia leva você! 

Tradições e curiosidades do Ramadan no Irã

01/04/2022

Tradições do Ramadan no Irã

Salam amigos! Neste sábado (02/04), tem início o Ramadan (em persa Ramazan), mês sagrado para os muçulmanos de todo o mundo. Nesta ocasião, os muçulmanos praticantes observam o jejum que é um dos 5 pilares do Islã, além de renovar sua fé através da prática da oração, da generosidade e evitando as más ações.

Se você planeja viajar para o Irã, é muito importante saber exatamente quando começa e termina o mês de Ramadan. Durante este período, a maioria dos restaurantes do país fecha durante o dia e até mesmo beber água ou fumar nas ruas é mal visto. Mas, apesar de parecer uma época complicada para o turismo, o mês sagrado islâmico no Irã também pode oferecer um lado belo e interessante para os visitantes que estejam dispostos a se aventurar por lá.



Como os iranianos realmente encaram o Ramadan?


Iranianos compram comida típica preparada na hora do Iftar. (Imagem do site: Iran Tourismer)

Em teoria, o jejum do mês de Ramadan consiste em se abster de comida, bebida, relações sexuais, e toda prática considerada ilícita, do nascer ao pôr-do-sol, e é obrigatória a todo indivíduo a partir da puberdade que esteja em condições físicas de fazê-lo. Apesar de ser praticado com seriedade por muitos muçulmanos ao redor do mundo, nem todos os iranianos seguem o jejum à risca.


Durante o mês sagrado no Irã,  restaurantes, cafeterias, lanchonetes, food-trucks e barracas de comida, devem ficar fechadas até a hora do Iftar (desjejum), aproximadamente às 20h (hora local, menos alguns minutos todos os dias) e não servir nada, nem mesmo comida para viagem. 


Mesmo assim, alguns hotéis e restaurantes, principalmente aqueles que atendem a turistas ou recebem hóspedes de outros países, servem comida e até mandam entregá-la secretamente para os clientes em discretas sacolas plásticas pretas. É comum ver até mesmo algumas pessoas comendo sanduíches escondidas pelos becos, aproveitando a saída do escritório na hora do almoço.


Comidas típicas do Irã durante o Ramadan


Mas para aqueles que praticam o jejum à risca ou não. O nono mês do calendário islâmico ainda tem um papel importante nas tradições e costumes sociais iranianos. Na hora do Iftar, um cardápio fantástico é  ofertado em quase todos os restaurantes iranianos. Guisados, doces de dar água na boca, tâmaras frescas, o tradicional queijo azari com vegetais e nozes acompanhados pelo tradicional copo de chai são o que você pode encontrar em qualquer mesa de jantar no Irã durante o Ramadan. 


O interessante é que essas refeições e alimentos tradicionais  podem ser encontrados durante todo o ano em alguns restaurantes especiais no Irã, mas sua popularidade cresce muito durante o mês sagrado. É comum encontrar mesas cheias de guloseimas especialmente preparadas para o Ramadan na frente de quase todos os supermercados, restaurantes e lanchonetes de kebab do país, ou até mesmo sendo vendidas pelos ambulantes nas ruas.


Conheça algumas das delícias típicas do mês de Ramadan no Irã: 


Zulbia Bamieh (doce típico do Ramadan)


Docinhos crocantes de massa frita crocantes por fora e macios por dentro, que depois é mergulhada em uma deliciosa calda de açafrão doce. Dizem que é impossível comer um só! 

Zulbia Bamieh (Imagem do site: 1stQuest)

Veja também o post: Bamieh, um doce especial do Ramadan no Irã 


Halim (mingau de trigo com carne)


Se você viajar para o Irã durante o Ramadan, o cheiro de trigo recém cozido com carne na hora do Iftar ou antes do nascer do sol não vai ficar impregnado na sua mente. Alguns cozinheiros iranianos ainda preparam o Halim à moda antiga; cozinhando e mexendo o trigo por 12 horas e depois adicionando a carne que é servida junto. Uma delícia da culinária persa que todos merecem saborear após um dia inteiro de jejum! 


O delicioso Halim (Imagem do site: 1stQuest)


Ash-e Reshteh (sopa de feijão e ervas com macarrão) 

Um dos melhores ensopados persas tradicionais é composto de vegetais, cebola frita, carne, nozes, feijão, reshte (macarrão persa) e outros ingredientes. Pode-se dizer que é tudo o que um iraniano possivelmente deseja comer durante uma semana em uma pequena tigela! 


O divino ensopado Ash-e Reshteh. (Imagem do site: Cooking NYT)


Como o Ramadã afeta o turismo no Irã?


Se você está planejando viajar para o Irã durante o mês sagrado do Ramadan, há algumas regras e informações importantes que você precisa saber:


1. Em primeiro lugar, nunca beba ou coma nada enquanto estiver em público, algumas pessoas podem considerar isso uma ofensa grave.


2. Quase todas as atrações turísticas e pontos turísticos estão abertos durante o dia. Certifique-se de verificar isso com o seu guia local ou, se você tiver amigos iranianos, pergunte a eles.


3. Por último, e possivelmente o mais importante, é que durante o mês sagrado do Ramadan, algumas taxas de entrada em atrações turísticas são reduzidas e os preços dos hotéis também tendem a baixar. Isso pode compensar as dificuldades de visitar o Irã na época do Ramadan.


Durante o Ramadan há menos pessoas nas ruas e menos viajantes dispostos a circular pelo país. Nessa época, por causa do jejum durante o dia, os iranianos se tornam cada vez mais noturnos e todo mundo sai de casa depois das oito da noite, e após a hora do Iftar tudo está em clima de festa. 


Celebrações religiosas durante o Ramadã no Irã


Celebração do Martírio do Imam Ali, no 21º dia do Ramadan no Irã. (Imagem do site: 1stQuest)

O 21º dia do Ramadan, celebração do martírio do Imam Ali, é provavelmente uma das datas mais marcantes para quem deseja conhecer os costumes religiosos dos muçulmanos do Irã. Durante este dia são realizadas cerimônias e os rituais religiosos acontecem em todo o país, o que torna o Ramadan no Irã  memorável. Milhares de participantes locais batendo no peito vestidos de preto lamentam o martírio do Imam Ali, enquanto encenações teatrais, distribuição de comida e sharbats (refrescos) grátis enchem as ruas de todas as cidades do Irã. 


Como saber quando começa o mês de Ramadan?


O Irã adota um calendário oficial que é o calendário iraniano solar (cujo ano atual é 1401), mas as celebrações muçulmanas seguem o calendário islâmico lunar (cujo ano atual é 1443).


O Ramadan sempre cai no mesmo dia, de acordo com o calendário islâmico lunar. Contudo, o dia difere também do calendário gregoriano, já que este é um calendário solar, causando uma diferença aproximada de onze dias por ano.


Para saber quando começa o mês do Ramadan é necessário observar o calendário islâmico lunar. 

  • Em 2022, na hora local do Irã, o Ramadan começa neste sábado, 02/04/2022 e terminará no dia  01/05/2022.

Desejo um feliz e abençoado mês de Ramadan 
a todos os queridos amigos muçulmanos!

🔗Artigo adaptado do site 1stQuest

 💞 Este é um artigo inédito em língua portuguesa que você só encontra aqui no blog Chá-de-Lima da Pérsia. Se você também é fã da cultura do Irã e considera importante o nosso trabalho, saiba aqui como você pode apoiar o blog. 

Khordad Sal: o Aniversário de Zoroastro

25/03/2022


Salam amigos! Hoje no calendário persa, é o 6° dia do mês de Farvardin, data em que é comemorado o Khordad Sal, aniversário de Zoroastro, o profeta fundador da religião ancestral do Irã.

A celebração que também é conhecida como o “Nowruz maior”, 6 dias após o Ano Novo persa (“Nowruz menor”) para a comunidade zoroastriana, é tão importante quanto o Natal para os cristãos. A palavra Khordâd em persa significa “perfeição” e Sâl, significa “ano”.

Neste dia, as famílias zoroastrianas se reúnem no Templo do Fogo, onde agradecem a Ahura Mazda, pela vida do profeta Zoroastro, participam do jashan (cerimônia de ação de graças) e festejam com grandes banquetes. Também é um dia de reflexão, onde cada indivíduo assume o compromisso de se tornar uma pessoa melhor. 


O nascimento de Zoroastro em uma História em quadrinhos  Zarathushtra,(infelizmente não encontrei o autor, a tradução do texto é minha)

Quem foi o Profeta Zoroastro?


Zoroastro ou Zaratustra (em persa Zartosht), viveu na Pérsia (atual Irã), segundo algumas fontes entre 628-551 a.C. Durante o quinto mês de gravidez, sua mãe, recebeu a visita de um anjo que anunciou que a criança se tornaria um grande profeta que seria capaz de impedir a destruição do mundo. Acredita-se que ao nascer, a criança tinha a face brilhante como o sol, por isso foi chamado de Zoroastro, cujo nome em persa antigo pode ser traduzido como “o brilho do ouro”.

Muito cedo, o jovem Zoroastro deixou seu lar em busca da sabedoria. Aos 30 anos, tendo recebido a revelação de Ahura Mazda, o profeta começou a espalhar sua mensagem na região do planalto iraniano. Perseguido pelas autoridades civis e religiosas que se opunham a seus ensinamentos, após 12 anos de pregação, Zoroastro mudou-se para a região de Báctria (região no atual Afeganistão), onde após a conversão dos soberanos, o zoroastrismo se tornou a fé oficial do reino.

O principal documento que nos permite conhecer a vida e os ensinamentos de Zoroastro são os Gatas, uma coleção de hinos que compõem a parte mais importante do Avesta, o livro sagrado do zoroastrismo.


Zoroastro mudou-se para a região de Báctria, onde após a conversão dos soberanos, o zoroastrismo se tornou a fé oficial do reino.

Quem são os zoroastrianos?


O Zoroastrismo, é uma das mais antigas religiões monoteístas da história da humanidade.  Durante séculos, foi uma das religiões dominantes no mundo antigo, tendo sido suprimida após a conquista islâmica na Pérsia no século VII. Atualmente, estima-se que o número de praticantes seja cerca de 2,6 milhões principalmente no Irã e na Índia.

Os zoroastrianos acreditam em um Deus único e supremo, Ahura Mazda (“O Senhor da Sabedoria”). De acordo com a crença, Ahura Mazda transmitiu todos os seus ensinamentos através do profeta Zoroastro.

Os zoroastrianos são chamados erroneamente de “adoradores do fogo”, porque o fogo é um elemento central da sua fé, que simboliza a luz de Deus. A natureza também é um dos elementos mais importantes na fé zoroastriana, tendo influenciado a cultura persa de tal modo que hoje muitas de suas tradições ancestrais são preservadas pelo povo iraniano, independente de sua crença.

Diferentes datas


Para os zoroastrianos do Irã, o Khordad Sal cai no dia 6 do mês de Farvardin (que corresponde a 25 ou 26 de março do nosso calendário), o dia é simbólico, porque a verdadeira data do nascimento de Zoroastro é desconhecida. Em outras partes do mundo, a depender da corrente religiosa, o festival é observado em Agosto ou Setembro.

🔗Fonte:  World Religion News | RE:Online | Read the Spirit
🔎Veja a história em quadrinhos Zarathushtra, em inglês, neste link