Breves Histórias sobre o Irã - A Cerâmica

21/05/2022

 


Salam amigos! Já está no ar o quarto  episódio de Breves Histórias sobre o Irã, o  nosso quadro mensal em parceria com a História in Casa - TV de História Pública


Nesta série, estamos abordando temas da arte, cultura e história deste país tão fascinante e tão pouco compreendido que é o Irã. 


E no episódio de hoje, eu vou contar uma breve história de uma  das forma de arte mais antigas do  Irã: a Cerâmica.

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Omar Khayyam: o poeta cientista da Pérsia

18/05/2022


Hoje 18 de maio (28 de Ordibehesht no calendário persa)  é o dia que os iranianos celebram o aniversário de Omar Khayyam que é com certeza um dos mais famosos poetas persas, conhecido no ocidente por sua  obra Rubayat, em português "Quadras"(Rubaiyat é o plural da palavra persa rubai, que significa quadras, quartetos), uma coleção de mil poemas que ficou famosa a partir da tradução de Edward Fitzgerald em 1859. 

Omar Khayyam  nasceu em Nishapur, atual província de Razavi Khorasan no Irã, no ano de  1048 e viveu até 1131. Foi um notável matemático, astrônomo e poeta, oriundo de uma família de classe média alta, da qual herdou seu sobrenome que significa"fabricante de tendas".

No campo da astronomia, Khayyam corrigiu o antigo calendário persa que  tinha uma margem de erro de um dia a cada 3770 anos. Na matemática contribuiu em álgebra com o método para resolver equações cúbicas pela interseção de uma parábola com um círculo, que viria a ser retomada séculos depois por René Descartes.

Apesar de suas realizações no campo das ciências, foi com sua obra poética que ele recebeu maior reconhecimento. Suas crenças particulares são notáveis em seus escritos, rejeitando a religião formalista e interpretações literais dos dogmas do islamismo. Como filósofo, ele era partidário dos ensinamentos de  Avicena, os quais ele transmitiu durante anos até sua morte em sua cidade natal Nishapur.  


Noite, silêncio, folhas imóveis;
imóvel o meu pensamento.
Onde estás, tu que me ofereceste a taça?
Hoje caiu a primeira pétala. 
Eu sei, uma rosa não murcha
perto de quem tu agora sacias a sede;
mas sentes a falta do prazer que eu soube te dar,
e que te fez desfalecer. 
Acorda... e olha como o sol em seu regresso
vai apagando as estrelas do campo da noite;
do mesmo modo ele vai desvanecer
as grandes luzes da soberba torre do Sultão. 

 

(...) 

 

"Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã./ Apanha um grande copo cheio de vinho,/ senta-te ao luar, e pensa:/ Talvez amanhã a lua me procure em vão."

 

 A tradução mais conhecida da obra de Omar Khayyam em português foi feita por Otávio Tarquínio de Sousa, embora vários outros poetas e escritores tenham se sensibilizado com a beleza do Rubayat, como Fernando Pessoa e Manuel Bandeira. No prefácio da tradução do Rubayat em português por Alfredo Braga, há uma definição perfeita para compreendermos a personalidade deste poeta persa de múltiplos talentos:
"Um homem erudito e sofisticado, que sabe da assombrosa trajetória dos astros, da pureza da rigorosa geometria e da elegante álgebra, que percebe a inconsequente soberba dos homens sábios (e a dos outros) e caminha entre rosas, tulipas, lindas mulheres e finos vinhos, provavelmente não ia se entregar a tão imponente singeleza para falar do último gesto, daquele “ato inelutável” de um outro crepúsculo:

Cavaleiro que vejo ao longe na neblina
Do crepúsculo, aonde irá? Sei não. Por Vales
E montanhas? Sei não. Estará amanhã estendido...
Sobre a terra?... Ou debaixo da terra?... Sei não."

 

Túmulo do poeta Omar Khayyam em Nishapur | Foto: Masoud Kameli (CC BY-SA 4.0)
Nishapur suportou guerras e terremotos, e em 1221 foi saqueada pelos mongóis. O túmulo de Omar Khayyam resistiu a todas as calamidades. O moderno monumento de mármore que o abriga atualmente foi reconstruído em 1963.

"Se uma rosa guardaste, 
no teu coração,
Se a um Deus supremo e justo endereçastes
Tua humilde oração, 
se com a taça erguida
Cantaste um dia 
o teu louvor à vida:
Tu não viveste em vão!"

(Omar Khayyam) 



🔗 Fontes:  Wikipedia e Os Rubayat, versão em Português de Alfredo Braga

🔎 Saiba mais: Deixo aqui sugestões de traduções do Rubayat de Omar Khayyam 

   📘 Os Rubayat - Omar Khayyam 
Tradução em português de Alfredo Braga, leia online grátis  neste link 

   📘 Rubayát - Omar Khayyam 
  Tradução em português J.B. de Mello e Souza   (compre pela Amazon)

   📘 The Rubayats of Omar Khayyam 
  Tradução em inglês de Edward Fitzgerald  (compre pela Amazon)

🎞Veja uma bela animação sobre o grande poeta persa Omar Khayyam: 
   

Ferdowsi: o legado de um poeta inigualável

15/05/2022


Hoje, 15 de maio (25 de Ordibehesht, no calendário persa), é o dia que os iranianos celebram o Dia Nacional do poeta Ferdowsi, que é  considerado também o Dia da Língua Persa

Hakim Abol Qasem Ferdowsi Tousi, nasceu em Khorasan em um vilarejo perto de Tus (Nordeste do Irã), no ano de 935. Seu grande épico, o Shahnameh,"O Livro dos Reis", ao qual ele dedicou a maior parte de sua vida, foi originalmente composto sob patrocínio dos príncipes samânidas de Khorasan, que eram os principais instigadores da revitalização das tradições culturais persas após a conquista árabe do século VII. Durante a vida de Ferdowsi esta dinastia foi derrubada pelos turcos Ghaznévidas, e há várias histórias em textos medievais que descrevem a falta de interesse demonstrada pelo novo governante de  Mahmoud de Ghaznavi, pelo trabalho do poeta Ferdowsi.

Diz-se que Ferdowsi morreu por volta do ano 1020 na pobreza e amargurado pela negligência real, embora confiante em sua fama e em seu último poema. O Shahnameh, além de ser um épico nacional é um dos grandes clássicos da literatura mundial que conta a saga dos heróis da antiga Pérsia. A forma e estilo com que o poeta descreve os eventos leva os leitores de volta aos tempos antigos e faz com que estes sintam-se vivenciando os eventos. Ferdowsi trabalhou durante trinta anos para terminar esta obra-prima e é considerado como o maior poeta persa que já viveu.

Estátua de Ferdowsi em Teerã
De acordo com o poeta Nezami (1141-1209), Ferdowsi era um dehqan (classe de fazendeiros aristocratas extremamente patriotas), de onde obtinha uma renda confortável a partir de suas propriedades. Ele tinha apenas uma filha, e foi para fornecer a ela um dote que ele se lançou à tarefa que o ocupou por mais de 30 anos (outras fontes contam que ele também teve um filho que morreu aos 37 anos a quem ele dedicou uma elegia que foi incluída no Shahnameh). 

O Shahnameh de Ferdowsi, um poema com cerca de 60.000 versos (o maior já escrito por um único poeta), é baseado principalmente em uma obra em prosa de mesmo nome e foi compilada no início da vida adulta do poeta em Tus, sua terra natal. Este Shahnameh em prosa era em grande parte a tradução de uma obra Pahlavi (Médio persa), o Khvatay-Namak, uma história dos reis da Pérsia desde os tempos míticos até o reinado de Khosrow II (590-628 EC), mas também continha material adicional continuando a história até a derrubada do sassânidas pelos árabes em meados do século VII.

O primeiro a realizar a versificação desta crônica da Pérsia pré-islâmica e lendária foi Daqiqi, um poeta da corte dos samânidas, que teve um fim trágico após completar apenas 1.000 versos. Estes versos, que tratam da ascensão do profeta Zoroastro, foram mais tarde incorporados por Ferdowsi, com confirmações devidas, em seu próprio poema. Uma característica importante deste trabalho é que, durante o período em que o árabe foi conhecido como a principal língua da ciência e da  literatura, Ferdowsi utilizou-se apenas do persa em sua obra-prima. Como diz o próprio Ferdowsi "a língua persa é revivida por este trabalho". 


Ferdowsi e os poetas da corte Ghaznévida

Segundo a lenda, o sultão Mahmoud de Ghazni ofereceu a Ferdowsi uma peça de ouro para cada verso do Shahnameh. O poeta concordou em receber o dinheiro de uma só vez quando terminasse o trabalho pois, ele planejava usá-lo para reconstruir os diques de Tus, sua cidade. Depois de trinta anos de trabalho, Ferdowsi terminou a sua obra-prima, o Shahnameh,  em 1010, e foi apresentá-la a Mahmoud, que nessa época havia se tornado governador de Khorasan. 

De acordo com Nezami, Ferdowsi veio a Ghazni pessoalmente e através dos serviços do ministro Ahmad Ebn Hasan Meymandi foi capaz de garantir a aceitação do poema perante o sultão. Porém, infelizmente, Mahmoud  consultou certos inimigos do ministro que sugeriram como  recompensa para o poeta a desprezível quantia de  50.000 dirhams, e mesmo assim, ainda disseram que era demais, em vista de suas doutrinas xiitas consideradas heréticas na época. Mahmoud, um sunita fanático, foi influenciado por essas palavras, e no final Ferdowsi recebeu apenas 20.000 dirhams. Amargamente desapontado, ele foi para o banho público e, ao sair, foi tomar um gole de foqa (um tipo de cerveja) e acabou dividindo todo o dinheiro entre o atendente da casa de banhos e do vendedor do foqa

Temendo a ira do sultão, ele fugiu, primeiro para Herat, onde se escondeu por seis meses, e depois, pelo caminho de Tus, para Mazandaran, onde encontrou refúgio na corte de Shahreyar Sepahbad, cuja família reivindicava ser dos últimos descendentes dos sassânidas (a última dinastia pré-islâmica do Irã). Ali, Ferdowsi compôs uma sátira de 100 versos sobre o sultão Mahmoud que  inseriu no prefácio do Shahnameh e o leu  para Shahreyar, ao mesmo tempo, oferecendo-se para dedicar o poema a ele, como um descendente dos antigos reis da Pérsia, em vez de Mahmoud. Shahreyar, no entanto, convenceu-o a retirar a sátira a Mahmoud, e comprou-a pelo valor de 1.000 dirhams por verso. O texto integral desta sátira, tendo todos os sinais de autenticidade, sobreviveu até o presente. 

De acordo com a narrativa de Nezami, Ferdowsi morreu intempestivamente, assim como o sultão Mahmoud havia resolvido pedir desculpas ao poeta, enviando-lhe 60.000 dinares, mas quando a caravana levando o dinheiro chegou em Tus, reuniu-se um cortejo fúnebre: o poeta havia morrido. Nezami não menciona a data da morte de Ferdowsi. A primeira data determinada pelas autoridades é 1020 e a mais recente é 1026,  só se sabe ao certo que ele viveu  mais de 80 anos. 

Ferdowsi foi enterrado em seu próprio jardim, no cemitério muçulmano de Tus onde um governador Ghaznávida de Khorasan construiu um mausoléu sobre o túmulo que se tornou um local reverenciado. O túmulo, que havia entrado em decadência após séculos, foi reconstruído entre 1928 e 1934 sob as ordens do Xá Reza e agora se tornou o equivalente a um santuário nacional. 


Túmulo de Ferdowsi na cidade de Tus 

O Legado de Ferdowsi

Os persas consideram Ferdowsi como o maior dos seus poetas. Durante quase mil anos os persas continuaram a ler e ouvir recitações de sua obra-prima. É a história do passado glorioso do Irã, preservada no verso sonoro e majestoso. Apesar de escrito a cerca de 1.000 anos atrás, este trabalho é tão inteligível para os modernos falantes do persa quanto a versão do Rei James da Bíblia  para um moderno falante do inglês. A linguagem original é o Pahlavi, um  persa puro com  uma mistura mínima do árabe. 
- Encyclopædia Britannica
Depois do Shahnameh de Ferdowsi  uma série de outras obras semelhantes  surgiram ao longo dos séculos dentro da esfera cultural da língua persa. Sem exceção, todas essas obras foram baseadas no estilo e no método do épico, mas nenhum deles conseguiu alcançar o mesmo grau de fama e popularidade como a obra-prima de Ferdowsi.

Ferdowsi tem um lugar único na história persa por causa dos avanços que ele fez em revitalizar e regenerar as tradições linguísticas e culturais persas. Seus trabalhos são responsáveis por manter grande parte da língua persa preservada. A este respeito, Ferdowsi supera todos os outro poetas que viveram depois dele. Muitos iranianos modernos o consideram como o pai da língua persa moderna. Além do Irã, ele é reverenciado também no Afeganistão e no Tadjiquistão.

Ferdowsi  inspirou o Xá Reza Pahlavi na criação da "Academia de Cultura" no Irã, para tentar remover palavras em árabe e turco da língua persa, substituindo-as por alternativas adequadas em persa. Em 1934, o Xá  instituiu uma cerimônia em Mashhad,  na província de Khorasan para comemorar mil anos de literatura persa desde a época de Ferdowsi, intitulada Ferdowsi Millenary Celebration convidando notáveis ​​estudiosos europeus e iranianos. Em Mashhad, há uma universidade criada em 1949 que também leva o nome de Ferdowsi.


🔗 Fontes:  Iranchamber e Wikipedia

🔎 Saiba mais: Infelizmente ainda não existe nenhuma tradução do Shahnameh de Ferdowsi para o português. Deixo aqui sugestões de duas famosas traduções em inglês: 

   📘 Shahnameh: The Persian Book Of Kings
    Uma das edições mais completas, traduzida por Dick Davis (2016)
    (Compre pela Amazon)

  📘 Shahnameh: The Epic of the Persian Kings
    Edição super luxuosa traduzida por Ahmad Sadri e ilustrado por Hamid Rahmanian  (2013)
    (Compre pela Amazon)


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LIVE: O Poeta Ferdowsi e as Histórias do Shahnameh

13/05/2022


🗓️ NESTE DOMINGO, 15/05 ÀS 17H!


LIVE: O Poeta Ferdowsi e as Histórias do Shahnameh


Neste domingo 15/05 (25 de Ordibehesht no calendário iraniano) é celebrado o Aniversário do Poeta Ferdowsi e também o Dia da Língua Persa

Durante quase mil anos, os iranianos continuaram a ler e ouvir recitações da grande obra prima de Ferdowsi, o Shahnameh (O Livro dos Reis).
O poeta é considerado como o patrono da língua persa, porque seu trabalho é responsável por manter preservado o patrimônio cultural e linguístico dos persas. Mas, apesar de ser um dos maiores poetas que já viveram, infelizmente muito pouco se ouve falar dele aqui no Brasil.

Neste bate papo vamos conhecer algumas histórias do Shahnameh de Ferdowsi e sua importância para a cultura do Irã e para a literatura mundial.


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O Dia Nacional do Golfo Pérsico no Irã

30/04/2022



Você sabia? Hoje é comemorado o Dia Nacional do Golfo Pérsico (em persa, Ruz-e Melli-e Khalij-e Fars).

A data que este ano cai no dia 30 de Abril (10 de Ordibehesht no calendário persa) foi proclamada em 2004 e é marcada por várias cerimônias em todo o Irã, especialmente nas cidades costeiras do sul.

O Golfo Pérsico é uma extensão do Oceano Índico situada entre o Irã  e a Península Arábica com uma área total de 251.000 km². O golfo Pérsico e suas áreas costeiras são a mais rica e mais usada fonte de petróleo do mundo.

Mapa de Abraham Ortelius, datado de 1580 usando o termo “Persicus” (MAR MESENDIN anteriormente Sinus Persicus) 

Qual é o correto: Golfo Pérsico ou Golfo Árabe ?


De acordo com o livro Documentos sobre o nome do Golfo Pérsico: a eterna herança dos tempos antigos,  o termo Golfo Pérsico e seus equivalentes têm sido utilizados  desde 400 a.C, mas em 1964, a Liga Árabe ratificou a mudança do nome para  Golfo Árabe.

Aparentemente, esta mudança não foi aceita por alguns países árabes, mas após a guerra Irã-Iraque, a decisão foi tomada o que deixou os iranianos irritados, especialmente quando os árabes tentaram usar o nome Golfo Árabe nos meios de comunicação ingleses.

Depois de muitos encontros e seminários, ONG's e geógrafos do Irã pediram ao governo para preservar o nome histórico do Golfo Pérsico. Finalmente, a República Islâmica do Irã em 2004, oficialmente designou o dia  30 de abril como o "Dia Nacional  do Golfo Pérsico", a decisão foi tomada pelo Conselho Superior da Revolução Cultural, presidida pelo ex-presidente Mohammad Khatami

A data escolhida coincide com o aniversário de uma campanha militar bem-sucedida contra a marinha portuguesa na Reconquista de Ormuz (1622). Por mais de um século, a ilha de Ormuz no Golfo, permaneceu sob controle dos portugueses, mas eles foram derrotados e forçados a se retirar pelas forças iranianas de Shah Abbas.

Imagem de satélite do Golfo Pérsico


O Golfo Pérsico em documentos históricos


Não há nenhum documento escrito anterior ao antigo Império Persa, mas na história e cultura oral, os iranianos sempre chamaram as águas do sul de Mar Jam, Mar do Irã ou Mar de Pars.

No relato de viagem de Pitágoras (c. 570- 496 a.C.), vários capítulos estão relacionados a uma descrição de suas viagens, acompanhadas pelo rei Dario, o Grande, a Susa e Persépolis, descrevendo a região. 

Entre outros documentos históricos importantes, no mapa-múndi de Hecateu (472 a 509 a.C.) o Golfo Pérsico foi claramente indicado. Ao mesmo tempo, muitos mapas e escrituras elaborados até o século VIII por cientistas e pesquisadores geográficos como Heródoto (484-425 a.C.).

No período islâmico, Mohammad Ibn Mousa Kharazmi, Abou Yousef Eshagh Kandi, Ibn Khardazabeh, Harrani (Batani), e outros, mencionam que há um largo mar ao sul do Irã chamado Mar de Pars,  Golfo de Pars, Bahre Fars, Sinus Persicus e Mare Persicum etc.

Na legenda: "Original e  reprodução de um mapa babilônio de c.2500 a.C. Os babilônios acreditavam que a Terra era um disco plano cercado por um rio de águas salgadas (i.e. Golfo Pérsico). Textos do Armenian Atlas e da Children & Youths Encyclopedia, Ed. Russa." 


O Golfo Pérsico nos atlas históricos


Em todos os importantes mapas históricos e Atlas, sejam modernos ou pertencentes a séculos anteriores, o corpo de água localizado ao sul do Irã sempre foi registrado como Golfo Pérsico. Nos países árabes até os 70, essa nomenclatura também sempre foi utilizada: 

Por exemplo, no Atlas Alaragh fi Alkhavaret Algadimeh do Dr. Ahmad Souseh (Bagdá 1959), incluindo 40 mapas entre as fontes árabes da Idade Média. Além disso, nos mapas apresentados pelos países árabes ao Tribunal Internacional do Judiciário para acertos de reivindicações de fronteira, o nome do Golfo Pérsico é mencionado.

O livro: Osoul Alkuwait Almanshour Alalam (1991) publicado na Holanda também contém 15 mapas onde existe o nome do Golfo Pérsico. No Atlas da "História do Islã" (1951-55 América e Egito), o nome Golfo Pérsico foi mencionado 16 vezes.

Além disso, cerca de 30 Atlas registraram o nome do Golfo Pérsico nos últimos 30 anos, como Atlas de Thomas Herbert (1628), Atlas de Pars, Universidade de Lousaj (1863), Atlas da Alemanha (1861), Pars Envile Atlas (1760), Atlas of Modern Geography (1890), Atlas of London (1873), Atlas of Ernest Embrosius (1922), Atlas of Bilefild (1899) e Atlas of Harmsorth (séc. XIX,  Londres).

Ilha Qeshm, Golfo Pérsico, Irã | Foto: Ninara (CC BY 2.0)


🔗 Fontes: Wikipedia | Tehran Times 

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 💞 Este é um artigo inédito em língua portuguesa que você só encontra aqui no blog Chá-de-Lima da Pérsia. Se você também é fã da cultura do Irã e considera importante o nosso trabalho, saiba aqui como você pode apoiar o blog. 

LIVE: 12 Motivos para Viajar para o Irã

29/04/2022



🗓️ NESTE SÁBADO, 30/04 ÀS 17H!

LIVE: 12 Motivos para Viajar para o Irã

Embora seja considerado como um dos destinos turísticos mais fascinantes do planeta, o Irã ainda é muito pouco procurado pelos brasileiros talvez pela falta de informações.


Vamos bater um papo onde eu responderei todas as suas perguntas sobre viajar para o Irã! 


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Breves Histórias sobre o Irã - Os Azulejos

23/04/2022


Salam amigos! Já está no ar o terceiro episódio de Breves Histórias sobre o Irã, o  nosso quadro mensal em parceria com a História in Casa - TV de História Pública


Nesta série, vamos abordar temas da arte, cultura e história deste país tão fascinante e tão pouco compreendido que é o Irã. 


E no episódio de hoje, eu vou contar uma breve história de uma forma de arte decorativa que ocupa lugar de destaque no Irã: os Azulejos!

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5 Jardins Famosos de Shiraz

18/04/2022


 
A cidade de Shiraz capital da província de Fars, é conhecida pelos iranianos como "cidade dos jardins", devido ao grande número de jardins que a cidade abriga.


Historicamente, os jardins sempre tem sido uma parte fundamental da arquitetura e paisagismo dos persas. Esses magníficos jardins eram pensados como lugar de tranquilidade espiritual e também para reunião de amigos, de modo a ser, essencialmente, um "paraíso na terra".


No post de hoje, conheça alguns dos famosos jardins persas que são atrações turísticas da cidade de Shiraz:


1- Jardim Afifabad 


Jardim Afifabad | Foto do site Iran SG Group

No afluente distrito de Afif-Abad de Shiraz, o complexo que antigamente era conhecido como Jardim Gulshan, foi construído em 1863. Contém uma antiga mansão real, um museu de armas histórico e um jardim persa.

2 - Jardim Delgosha 


Jardim Delgosha  | Foto do site Iran Destination


No período Safávida, era um dos jardins mais famosos de Shiraz, mas alguns dos edifícios do complexo foram construídos na dinastia Qajar. A mansão do jardim foi construída no estilo dos palácios sassânidas de Bishapur e a maioria das árvores do jardim são de frutas cítricas.

3- Jardim Eram 


Jardim Eram | Foto do site Going Iran


O suntuoso edifício e o jardim Eram foram construídos em meados do século XIII por um líder das tribos Qashqai, mas sua estrutura provavelmente é mais antiga. Atualmente o complexo está dentro do Jardim Botânico da Universidade de Shiraz .

4 - Jardim Jahan Nama 


Jardim Jahan Nama | Foto do site Mizan News



Localizado na entrada da cidade de Shiraz, este jardim foi construído no período Zand (século XVIII). Possui o arranjo clássico de um jardim persa com ciprestes, laranjeiras e roseiras e um belo pavilhão octogonal.

5 - Jardim Naranjestan 


Jardim Naranjestan | Foto do site Iran SG Group


A Casa Ghavam também conhecida como Narenjestan (laranjal em persa), foi construída no século XIX e pertenceu a uma importante família de mercadores. A casa possui pinturas com influência europeia, uma fachada de azulejos e uma varanda de espelhos que se abre para o jardim com tamareiras e flores coloridas. 

Qual desses jardins de Shiraz você mais gostaria de conhecer? Deixe um comentário! 

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