RETROSPECTIVA: Os posts mais lidos nos 11 anos do blog!

28/01/2023


Salam amigos! Hoje é dia de retrospectiva em homenagem aos 11 anos do blog Chá-de-Lima da Pérsia!

(Este post é uma atualização do post que fiz no ano passado)


Para quem ainda não sabe, a data oficial do nascimento do Chá-de-Lima da Pérsia é 24/01/2012, ou seja, na terça-feira passada, completamos 11 anos, sendo o único blog brasileiro a falar exclusivamente sobre a cultura sobre cultura iraniana


(Quer saber o que me levou a criar este o  blog? Leia a seção Sobre o Blog. )


E nestes 11 anos, escrevi um total de 802 posts que de tempos em tempos são atualizados e repostados para que os novos seguidores possam acessar os conteúdos mais antigos e também ficar por dentro das novidades. 


No post de hoje, seguindo a tradição iniciada no ano passado, vamos recordar os 11 posts mais lidos da história do blog. 


👇👇Clique nos títulos para ler


 1 - Nomes Iranianos e Seus Significados

Postado em 24/06/2012

Neste post você vai conhecer os nomes de meninos e meninas mais comuns no Irã, os seus significados e origens. Este continua sendo o post mais lido da história do blog, então tem muita gente curiosa para saber os significados dos nomes dos seus amigos, amores e artistas favoritos iranianos, né? Esse é um tema que eu particularmente adoro!


2 - 10 Comidas Iranianas que Você deve Provar

Postado em 03/11/2014

Neste post você vai conhecer 10 das comidas iranianas mais famosas e mais pedidas nos restaurantes iranianos ao redor do mundo. Provar as comidas iranianas é sem dúvida uma das formas mais agradáveis de conhecer a cultura. Afinal todo mundo adora um banquete!  


🔎Assista também no Youtube a gravação da live Hora do Chá- Bate papo sobre culinária do Irã 


3 - Estilos de Danças Iranianas

Publicado em 30/11/2012

E um dos assuntos favoritos dos nossos queridos leitores é dança! Aqui eu falo sobre alguns dos vários estilos de danças que existem no Irã. Infelizmente não se sabe quase nada sobre as danças iranianas no Brasil. Já teve muitos estudantes que me agradeceram por este post que salvou suas pesquisas escolares, o que é motivo de muito orgulho para mim! 


🔎Assista também no Youtube a gravação da live Hora do Chá- As Danças na Cultura Iraniana


4- O que Aconteceu com as Meninas do Filme "A Maçã"

Publicado em 17/06/2013


É óbvio que essa é uma das nossas histórias favoritas! O que aconteceu com as gêmeas Zahra e Masume do filme "A Maçã" (1998)? A história real de duas meninas que foram trancadas em casa pelos pais durante 11 anos, reconstituída pela diretora Samira Makhmalbaf! Se você ainda não assistiu esse filme, clica aqui


5 - O que é a Lima-da Pérsia?

Publicado em 14/01/2015

Vocês conhecem a fruta que dá nome ao nosso blog? O mais engraçado é que tem muita gente que vem parar aqui no blog pesquisando sobre essa fruta: a lima-da-pérsia! 


6 - A Lenda do Simurgh

Publicado em  08/02/2013


Esse é um dos temas mais surpreendentes a aparecer nas nossas estatísticas dos mais lidos! Sinal de que tem muita gente interessada na literatura do Irã por aqui! Neste post eu falo sobre o Simurgh, uma ave mitológica que está presente na arte e na literatura iraniana especialmente nas obras dos poetas Ferdowsi e Attar. 

🔎Assista também no Youtube a gravação da  live O Poeta Ferdowsi e as histórias do Shahnameh

7 - Roupas e Diversidade Étnica do Irã

Publicado em 16/03/2012

Esse foi um dos primeiros posts da história do blog, traduzido com muito amor! Aqui vamos descobrir a diversidade da cultura do Irã através das roupas típicas de diferentes grupos étnicos. Com certeza muita gente por aqui, assim como eu adora esse tema! 


8 - As Mulheres da Antiga Pérsia 

Publicado em 08/03/2013

Este post é um verdadeiro achado histórico que sempre volta a lista dos favoritos! Você sabia que as mulheres no antigo Império Persa eram valorosas e muitas vezes ocupavam posições importantes no Estado e até chegaram a comandar exércitos. A meu ver, as mulheres do Irã atual ainda possuem a mesma coragem e bravura de suas ancestrais! 


9- Um pouco da cozinha nacional iraniana

Publicado em 10/12/2012

Novamente, para a alegria dos apaixonados por comida ! Este é um dos posts mais completos sobre a culinária do Irã que eu já postei no blog. Aqui eu falo desde os pratos principais, até os acompanhamentos, pães e petiscos, tudo o que compõe uma mesa tradicional nas casas iranianas!
 

10 - Estampa Paisley, Cashmere ou Boteh: qual é a sua origem?

Postado em 16/10/2016 


Este também é um dos meus posts favoritos com certeza! Afinal quem me conhece sabe que eu sou a "louca por boteh" (rsrs). E neste post vamos investigar as origens deste símbolo que conhecemos por aqui como estampas cashmere ou paisley. E você, também é fã dessa estampa? Surpreenda-se! 


11 - A Curiosa Dialética dos Relacionamentos Brasil & Irã

Publicado em 14/09/2012


Nem preciso dizer que esse é o post recordista de comentários de toda a história do blog! Muita gente acha que a minha paixão pela cultura do Irã começou devido a um relacionamento amoroso com algum iraniano, e durante algum tempo recebi dezenas de e-mails de pedindo conselhos sobre este tema. Então postei aqui esta breve reflexão que ainda prometo atualizar, porque nestes 11anos de blog, aprendi muita coisa e também tenho muita história pra contar (rs)... 


🔎Assista também no Youtube a gravação da  live Hora do Chá: Interações Virtuais entre Brasileir@s e Iranian@s

Espero que tenham gostado dessa retrospectiva, e se tem algum outro post que você acha que eu devia incluir nesta lista, escreva nos comentários! 


🎂🎉🔔 NÃO PERCA NESTE DOMINGO, 29/01 ÀS 17H: 


LIVE ESPECIAL: 11 ANOS DO CHÁ-DE-LIMA DA PÉRSIA no Instagram.


PARTICIPE DA LIVE: 11 ANOS DO BLOG CHÁ-DE-LIMA DA PÉRSIA

24/01/2023


🥳 📅 SALVE ESTA DATA: DOMINGO, 29/01 às 17h!


Neste domingo, você está convidado para a nossa live especial de aniversário de 11 anos do blog Chá-de-Lima da Pérsia!


No dia 24/01/2023, acabamos de completar 11 anos divulgando a cultura do Irã  e com certeza, você deve estar imaginando quantas experiências eu tenho para compartilhar! 


Mas essa caminhada foi feita junto com você, querido(a) amigo(a) da Pérsia que sempre acreditou no meu trabalho e me fez acreditar que todo este trabalho que fizemos até aqui, para tornar a cultura iraniana mais acessível para o público brasileiro, é muito importante! 


Vamos fazer um bate-papo sobre os planos e reflexões do blog para 2023 e você também poderá participar junto comigo ao vivo!


🤗 Espero por você para celebrarmos juntos  na Hora do Chá! 


🔴 ASSISTA A GRAVAÇÃO DA  LIVE:


Dicas de filme e curtas iranianos no CineSesc e na SescTV

20/01/2023



Salam amigos! Para este final de semana deixo duas dicas imperdíveis divulgadas respectivamente nas mídias do CineSesc e SescTV: para os cinéfilos, tem a estreia de um filme de suspense dirigido por um cineasta iraniano em cartaz e para os fãs de futebol tem uma série de doumentários curta metragens com histórias sobre o esporte para assistir gratuitamente! 

Confira as linkagens:

Suspense "Holy Spider", pré-selecionado ao Oscar, em cartaz no CineSesc até 25/01



Nesta semana o CineSesc (em São Paulo) exibe a estreia do suspense “Holy Spider“, novo filme do cineasta iraniano Ali Abbasi, mesmo diretor de “Border”(2018).  

Inspirado na história real de uma série de feminicídios que aconteceram entre 2000 e 2001 na cidade sagrada de Mashhad, no Irã, o filme foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes e venceu o prêmio de Melhor Atriz no festival para Zahra Amir Ebrahimi. 


🔎Acesse a programação completa no site do CineSesc

🔎 Leia também uma resenha sobre o filme no site Estado de Minas 


3 documentários curta-metragem sobre futebol iraniano disponíveis gratuitamente no site do SescTV

Cena do curta-metragem Fãs | Imagem: Divulgação

A série de curtas Cores do Futebol é um projeto realizado por canais públicos e educativos do mundo inteiro, que se uniram para narrar a relação da sociedade com o futebol em um mundo cada vez mais globalizado.

As histórias de futebol do Irã estão representadas por três documentários curta-metragem com 10 minutos de duração:


 Fãs (2010) > Apresenta histórias de torcedores iranianos fanáticos, e viaja pela atmosfera de estádios do Irã, um país apaixonado por futebol.


Ando (2014)  > Conta a trajetória de um ex-jogador iraniano, Andranik Teymourian, o Ando, que se prepara para virar técnico.


 O Recorde Iraniano (2014) > A periferia de Teerã, a capital do Irã, é apresentada por Mehdi Mohheb Darvish, que entrou para o Guinness World Records graças a suas acrobacias com a bola.


🔎 Assista a todos gratuitamente no  site do SescTV


Nos próximos meses, as linkagens com dicas sobre a cultura do Irã para o público brasileiro serão atualizadas  aqui no blog, semanalmente ou quinzenalmente, sempre que houver novidades! 


Se você tem alguma dica de cinema, exposições de arte, feiras ou festivais de música ou gastronomia, etc, na sua cidade que tem relação com a cultura do Irã, compartilhe com a gente! 

6 Romances de autores iranianos publicados no Brasil

17/01/2023

Romances Iranianos


Salam amigos! Ainda pouco conhecidos pelo público brasileiros, os romances de autores iranianos contemporâneos são um sucesso mundial. Embora, diversos livros desse gênero tenham sido censurados pelo governo do Irã, por incrível que pareça chegaram a se tornar best-sellers no país.

São obras que falam  da história e das mudanças radicais do regime no país, do reencontro de iranianos da diáspora com a terra natal, da relações familiares entre a união e conflitos de gerações, os desafios enfrentados pelas mulheres e da luta do povo iraniano por mais liberdade. Mas por trás do pano de fundo conturbado da história do Irã, nesses romances também há espaço para o amor e as paixões, para o idealismo e os sonhos e a beleza da cultura milenar.

A seguir uma lista com 6 livros de romances iranianos publicados no Brasil, em português:
 

1) Darius, o grande, não está nada bem 

Adib Khorram (Ed. Harper Collins, 2021)

Darius, o grande, não está nada bem

Darius Kellner fala klingon melhor do que farsi, e sabe mais sobre as condutas sociais dos hobbits do que as persas. Ele está prestes a fazer sua primeira viagem para o Irã, mas se sente desnorteado ― principalmente tendo que lidar com a depressão, um pai distante e uma vida social praticamente inexistente.

O problema é que Darius nunca se sentiu “persa” o suficiente. O Irã deveria ser tão parte dele quanto os Estados Unidos, mas é estranho chamar de lar um país em que você nunca viveu. Mas quando Darius conhece Sohrab, o menino da casa ao lado, tudo muda. Em pouco tempo eles já estão passando o dia juntos, jogando futebol, comendo faludeh e conversando por horas em um telhado secreto com vista para a cidade inteira.

Darius, o Grande, não está nada bem é o primeiro livro de Adib Khorram. A obra ganhou YALSA’s William C. Morris Award de melhor autor estreante para adolescentes, o Asian/Pacific American Literature Association’s Young Adult Award e o Boston Globe-Horn Book Award Honor.


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2) Nós e eles 

Bahiyyih Nakhjavani (Ed. Dublinense 2019)

Nós e eles

Quando Lili e Goli têm que lidar com sua mãe, Bibi, os problemas de sua família começam a vir à tona. Segredos, verdades inoportunas e mentiras de ocasião se sobrepõem à medida que a história avança, deixando a trama instigante e revelando nuances das personagens, que nunca são aquilo que conhecemos primeiro. 

Nós & eles, Bahiyyih Nakhjavani apresenta as fragmentações da diáspora iraniana em três gerações de uma família e todas as suas conexões de afetos e desafetos espalhadas pelo mundo. Os conflitos sobre quem deve cuidar da mãe obrigam as irmãs Lili e Goli a lidar com as obscuras finanças da família no presente, relações com o passado, uma meia-irmã deslocada e, sobretudo, com o desaparecimento de seu irmão mais novo, o qual Bibi vive a esperar. Narrado na primeira pessoa do plural, esse “nós” que tenta a todo o momento se distanciar de um “eles”, por fim nos mostra que o verdadeiro exílio é ser indiferente ao outro.


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 3) Escondi minha voz

 Parinoush Saniee  (Bertrand Brasil, 2017)

Escondi minha voz

Com quatro anos, Shahab ainda não disse a primeira palavra. A criança não entende o que as palavras significam e pensa até que são um elogio, até que um dia seu primo lhe prega uma peça com o intuito de provar a todos que o menino realmente é a piada do bairro.

Quando sua mãe relata o incidente ao marido, Shahab se sente péssimo ao perceber que o pai também acredita que seu silêncio traz constrangimento à família. Shahab logo reconhece que o amor e a estima do pai se concentram em seus irmãos. E, a partir desse momento, o seu mundo, que ele achava estar repleto de beleza e bondade, de repente se transforma, endurecendo de raiva e vergonha. Ninguém na família entende seu comportamento ou parece possuir o acolhimento pelo qual ele anseia desesperadamente. Será Shahab capaz de experimentar um pouco de felicidade e, finalmente, encontrar sua voz?


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4) O livro do destino 

Parinoush Saniee (Bertrand Brasil, 2015)

O livro do destino


5 décadas da história do Irã num romance proibido arrebatador. Adolescente na Teerã pré-revolucionária, Massoumeh é uma menina comum, apaixonada pelos estudos. A caminho da escola, ela conhece um homem por quem se apaixona ― mas, quando seus familiares descobrem as cartas que ele lhe escreve, Massoumeh é apontada como uma desonra para a família. 

Como consequência, a jovem leva uma surra violenta do irmão autoritário, e seus pais a obrigam a se casar às pressas com um homem que ela nunca viu. Os anos que se seguem ao casamento de Massoumeh revelam-se transformadores para o Irã. Hamid, seu marido, é um dissidente marxista, perseguido primeiramente pelo regime opressor do Xá e depois pelos fundamentalistas que ele próprio ajuda a chegarem ao poder. 

O destino de Massoumeh, até então ditado pela lealdade à família e à tradição islâmica, passa a ficar atrelado às mudanças radicais no país. O livro do destino abrange cinco décadas turbulentas da história do Irã, em que prevaleceu a repressão, o abuso, a miséria e a privação. É uma história intensa sobre amizade e paixão, medo e esperança ― e uma rara visão interna da sociedade iraniana. Proibido de ser lançado duas vezes pelo governo iraniano, tornou-se um dos maiores best-sellers da história do país, com mais de 20 edições.


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5) Filhos do jacarandá 

Sahar Delijani (Globo Livros, 2013)

Filhos do jacarandá

Em 1983, uma menina chamada Neda nasce dentro de uma prisão em Teerã, capital do Irã. Sua mãe é uma prisioneira política que só consegue cuidar da filha recém-nascida por alguns meses antes que ela seja levada, à força, para longe de seu convívio. 

O primeiro romance escrito por Sahar Delijani,  se mescla com a história da própria autora, que passou seus primeiros 45 dias de vida na penitenciária de Evin, na capital iraniana. Não chega a ser uma biografia, mas é inspirado em experiências reais dos pais e familiares de Delijani depois que o país passou de monarquia a república, com a revolução de 1979 – que derrubou o xá Reza Pahlevi e instituiu o comando do aiatolá Khomeini. 

Publicada em mais de 20 países,  Filhos do jacarandá conta a história de três gerações de homens e mulheres inspirados pelo amor e pelo idealismo, que perseguem sonhos de justiça e liberdade. É um tributo às crianças da revolução, segundo a autora. “Muitas pessoas acabaram sendo aprisionadas pelo novo regime, e os filhos do título são os filhos delas – crianças que nasceram no período pós-revolução e foram educadas por seus avós, tios e tias, já que seus pais estavam na cadeia”. É um livro que trata de repressão política, mas que também revela como fortes laços familiares não são desfeitos nem nas piores circunstâncias.


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6) Os telhados de Teerã 

Mahbod Seraji (Ed. Rocco, 2010) 

Os telhados de Teerã

Em Teerã é muito comum, no verão, dormir no telhado. O calor seco do dia resfria-se após a meia-noite, e quem fica lá em cima acorda com os primeiros raios de sol na face e com o ar fresco nos pulmões. E é deste lugar que os adolescentes Pasha e Ahmed, amigos inseparáveis, observam o mundo e as pessoas ao redor. É também dali que Pasha consegue ver e admirar Zari, sua vizinha, uma jovem já prometida para casamento. 

Este é o ponto de partida de Os telhados de Teerã, primeiro romance do autor iraniano, Mahbod Seraji, que emigrou para os Estados Unidos na década de 1970 e que, atualmente, vive na Califórnia, na Baía de São Francisco. 

Mahbod Seraji consegue mostrar na sua literatura, através de seus diálogos, às vezes leves, às vezes tensos, a importância fundamental da manutenção de sentimentos como a compaixão e generosidade. Dialogando e citando autores como Dostoievski, Emile Zola e Jack London, ele sinaliza que tais ações são fundamentais em uma sociedade contaminada pelo medo e por incertezas.


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Reflexões e expectativas para o Chá-de-Lima da Pérsia em 2023

07/01/2023


Salam amigos da Pérsia! Sal-e no mobarak! Feliz Ano Novo! 🎆


Todo início de ano é tempo de novas promessas e reavaliações. Neste post eu gostaria de fazer uma reflexão sobre o ano de 2022 e minhas expectativas para a caminhada em 2023:


A situação atual do Irã e a vontade de desistir de tudo... 


O final de 2022 foi muito desafiador para mim, especialmente se tratando do momento atual no Irã. As notícias dos protestos e de indignação do povo iraniano, que passaram a ganhar destaque após o caso Mahsa Amini (no final de setembro) me abalaram de tal modo que fiquei várias semanas desmotivada para produzir conteúdos. 


Além disso fiquei abalada emocionalmente durante as 2 primeiras semanas de outubro em que não conseguia contato com meus amigos que moram no Irã, pois o acesso às mídias sociais como Instagram e WhatsApp foi bloqueado no país. Após algumas semanas, os stories de meus amigos iranianos que conseguiam utilizar o antifiltro, atualizando diariamente o sentimento de revolta, tristeza e desejo de mudanças. 


Os amigos seguidores perguntavam o motivo do meu sumiço, pois até então, as lives e os planos de viajar novamente para o Irã em 2022 pareciam estar a todo vapor! Cheguei a postar alguns desabafos sobre o meu desgaste emocional e breves atualizações sobre a situação no país, mas recebi comentários muitos dos quais me deixaram ainda mais desmotivada.  


Infelizmente, neste momento percebi que entre os seguidores do Chá-de-Lima da Pérsia, havia pessoas dispostas a prejudicar aqueles que pensam diferente e optam por não defender uma ideologia religiosa ou política em particular. Então, pela primeira vez, em mais de 10 anos de blog, me vi bloqueando algumas pessoas e restringindo outras em minhas mídias sociais. 


Por esse motivo, gostaria de reafirmar, a todos que ainda tem alguma dúvida, que o blog Chá-de-Lima da Pérsia em toda a sua existência, nunca defendeu nenhuma ideologia política ou religiosa e nem se valeu de notícias negativas para obter engajamento e audiência. Mas isso não significa que eu esteja indiferente ao que vem ocorrendo no Irã. 


Meu conteúdo sempre foi voltado à divulgação da arte e da  cultura milenar do Irã, e sempre procuro, na medida do possível mostrar a situação do país, através das lentes do cinema, da literatura, das artes visuais, e sempre tentei fugir da batalha midiática dos meios comunicações oficiais do Irã contra a mídia ocidental e vice-versa. Pois bem sabemos que esses meios de comunicação tem seus próprios interesses... 


Motivações para continuar


Em novembro, veio a Copa do Mundo no Catar!  E para quem me conhece, sabe que sempre fui apaixonada pela Copa e desde que comecei a escrever no blog, sempre acompanhei os passos da Seleção de futebol do Irã. Motivada pela alegria do esporte, meu ânimo para voltar a escrever no blog de repente parecia estar voltando... 

Mas até meados de novembro, a situação no Irã continuava a mesma. E a participação da Seleção do Irã foi duramente criticada no que parecia ser a "copa dos protestos". Quem acompanhou meus posts recentes aqui no blog, pôde notar que continuei a torcer pela seleção do Irã, mas o desânimo e a revolta do povo iraniano parecia ser mais contagiante... 

Aproveitei o momento para dialogar com a situação atual, através das notícias recentes do futebol, até que no final da primeira fase de grupos, pela primeira vez eu vi os meus amigos iranianos comemorando a eliminação do seu time da Copa... 

Com o Irã eliminado da Copa, voltei novamente a me sentir "sem lugar". Mas depois de um tempo de recolhimento e reflexão, tomei uma decisão... 

A decisão de ser coerente com aquilo que eu acredito

 

Quando criei o blog Chá-de-Lima da Pérsia em 2012, eu tinha um desejo: partilhar com o público brasileiro aquilo que eu descobri que a mídia convencional não mostra sobre o Irã.

E nessa história de mais de uma década de amizade com iranianos, sempre acompanhei os noticiários, mas sem me deixar alienar por tudo aquilo que eu via. O caminho que e eu encontrei foi dialogar com as pessoas comuns, para entender a realidade vivida por eles. Os protestos e a luta do povo iraniano sempre existiram e continuam a existir em 2023, mas o meu desejo é dar visibilidade a eles através daquilo que eles produzem de melhor em termos de arte e cultura.

Também através das minhas próprias pesquisas como apaixonada por culturas do Oriente Médio, encontrei uma riqueza de conteúdo incrível sobre o Irã em sites estrangeiros que nunca foi traduzida para o português. E essa foi a minha segunda decisão: através de meus próprios esforços, tornar acessível e democrático o conhecimento dessa cultura para o público brasileiro. E essa tem sido a motivação da minha vida, e o combustível ao qual recorro sempre que ideias desmotivadoras passam pela minha cabeça.


Nessa caminhada, encontrei muitos amigos e parceiros. Infelizmente, algumas pessoas passarão pela nossa vida e não continuarão. Mas, o meu foco é naqueles que acreditam no meu trabalho e sempre me dão força para continuar com mensagens de apoio, carinho e críticas construtivas no momento certo.
 

No dia 24 /01 o blog Chá-de-Lima da Pérsia comemorará 11 anos de existência! E continua sendo o único blog dedicado exclusivamente a cultura do Irā no Brasil.  Agradeço a vocês amigos da Pérsia por continuar acreditando neste nicho tão pequeno e promissor que é a a cultura do Irā.

E quais são as metas para 2023?


Vamos manter aquilo que já começamos nos anos anteriores nas mídias sociais, mas a meta é deixar o nosso conteúdo ainda mais dinâmico e interativo. Por enquanto, vou deixar alguns dos projetos amadurecerem e ao longo do ano vou compartilhando aqui com vocês! 


Se você gostaria de apoiar ou patrocinar o meu trabalho, entre em contato comigo


Um grande abraço e um ano repleto de paz, saúde e sucesso para tod@s! 


🎤Ouça também este post no formato PODCAST feito com muito carinho! Espero que gostem!

  

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A provável origem persa dos 3 Reis Magos

06/01/2023

Os Três Sábios da Pérsia visitam o menino Jesus, pintura de Hossein Behzad 

Salam amigos! 6 de janeiro é o Dia de Santos Reis ou Epifania. De acordo com a tradição católica, teria sido nesta data que o Menino Jesus, recém-nascido, recebeu a visita dos três "reis magos". 

A palavra "mago" tem origem na antiga língua persa, Majusian, termo que designava os sacerdotes zoroastrianos. No relato, bíblico não há menção de que eles seriam "reis", mas a tradição popular assim os definiu, por terem trazido presentes considerados muito valiosos: ouro, incenso e mirra. 

Na Bíblia, no dia do nascimento de Jesus, eles aparecem como os magos que vieram do Oriente, seguindo a estrela de Belém. Portanto, Baltazar, Melquior e Gaspar, segundo a tradição, vieram da Pérsia, e eram provavelmente sacerdotes de Zoroastro. Obviamente, a peregrinação tinha alguma significância religiosa para estes homens, do contrário eles não teriam motivo para fazer uma viagem tão arriscada e demorada. E o que teria sido a estrela de Belém? Um fenômeno astrológico?  
E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém (Mateus 2:1)
Então Herodes, chamando secretamente os magos, inquiriu exatamente deles acerca do tempo em que a estrela lhes aparecera.Mateus 2:7)
Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.
 A Igreja da Natividade em Belém, foi construída em 329 no local em que a rainha Helena acreditava ter nascido Jesus. Em 614, esta igreja foi salva da destruição durante a invasão do exército persa à Terra Santa, por causa do mosaico que continham a imagem dos magos em trajes persas no piso da entrada do templo. Este acontecimento também mostra que de fato os 3 Magos eram representados como sacerdotes persas no Cristianismo primitivo.

O que nós sabemos sobre a origem dos 3 Magos, sugere que eles vieram ou da Mesopotâmia ou da Pérsia, e eram conhecidos como uma classe sacerdotal antiga e poderosa. Estes sábios que eram extremamente cultos, eram especialistas em várias disciplinas, incluindo medicina, religião, astronomia, astrologia, adivinhação e magia, e sua classe eventualmente se espalhou muito ao longo do Oriente.  Os magos persas eram considerados os mais religiosos e intelectuais; por isso os historiadores acreditam que os Magos do Natal eram persas, originários da Média. As tradições siríacas primitivas também dão a eles nomes persas.  

Os Três Magos, mosaico Bizantino, c.565, Basílica de São Apolinário Novo, em Ravenha, Itália.
Na arte bizantina, os magos eram comumente retratados em trajes persas incluindo calças, capas e capuz 

A edição inglesa do livro "As Viagens de Marco Polo" traduzido por Ronald Latham, relata o seguinte episódio: 
Na Pérsia, foi na cidade chamada Saveh, da qual os três Magos saíram quando foram adorar Jesus Cristo. Aqui, também, eles estão sepultados em três túmulos de grande tamanho e beleza. Acima de cada sepulcro há um edifício quadrado com um telhado abobadado de grande refinamento artístico. Um ao lado do outro. Os seus corpos ainda estão intactos, e eles tem cabelo e barba. O primeiro é chamado de Baltazar, o segundo de Gaspar, e o terceiro de Melquior.
Messer Marco perguntou a vários dos habitantes quem eram estes magos; mas ninguém sabia responder exceto que eles foram três reis que estavam sepultados ali em dias passados. Mas finalmente ele descobriu o que eu vou contar agora.
Três dias adiante, ele encontrou a vila chamada Kala Atashparastan, que é conhecida como a "Cidade dos Adoradores do Fogo". O que não é nada mais do que a verdade, pelo motivo de os homens dessa cidade adorarem o fogo.  E eu vou dizer porque eles o adoram. Os habitantes declaram que em dias passados três reis deste país foram adorar um profeta recém nascido e levaram para ele três oferendas - ouro, incenso e mirra - a fim de descobrir se este profeta era um deus, ou um rei terreno ou um guardião. Disseram: "Se ele escolher o ouro, ele é um rei terreno; se escolher o incenso, um deus; se escolher a mirra, um guardião."
Quando eles chegaram ao local onde o profeta nasceu, o mais jovem dos três reis entrou sozinho para ver a criança. Ele achou que o menino parecia com ele mesmo, e que  tinha sua mesma idade e aparência. E ele saiu, sentindo-se maravilhado. Então, entrou o segundo, que era um homem de meia idade. E para ele também pareceu o mesmo, que ele tinha sua mesma idade e aparência. E ele saiu, estupefato. Em seguida, entrou o terceiro, que era o mais maduro, e para ele também aconteceu o mesmo que com os outros dois. E ele saiu profundamente pensativo. Quando os três reis estavam todos juntos, cada um disse para o outro o que viu. E eles ficaram muito impressionados e resolveram entrar todos juntos.
Finalmente, eles entraram todos juntos, e se colocaram diante da criança e o viram em sua aparência real; porque ele tinha apenas treze anos. Então eles adoraram o menino e ofereceram a ele o ouro, o incenso e a mirra. A criança recebeu as três oferendas e deu a eles um pequeno baú fechado. E os três reis retornaram para sua própria terra.
Após uma jornada de alguns dias, eles resolveram ver o que o menino tinha dado a eles. Abriram o bau e dentro havia uma pedra. Eles se perguntaram muito qual seria o significado daquilo. Quando os três reis viram que a criança recebeu as três oferendas, eles concluíram que ele era ao mesmo tempo, um deus, um rei e um curador. E uma vez que a criança sabia que os três reis acreditavam nisto, ele deu a eles a pedra como sinal de que eles deveriam ser firmes e constante em sua fé.
Os três reis, não sabendo porque a pedra tinha sido dada a eles, jogaram-na em um poço. Tão logo a pedra caiu, um fogo desceu do céu, caindo diretamente no poço. Quando os três reis viram este milagre, eles se arrependeram de ter jogado a pedra fora; e passaram a ver claramente o seu significado maravilhoso. Imediatamente eles pegaram algumas chamas deste fogo e levaram-nas para seu país onde puseram-na em um de seus templos, um edifício belo e esplêndido.
Eles mantiveram este fogo queimando perpetuamente e o adoraram como a um deus. E todo sacrifício e oferenda que eles fazem é queimado com este fogo. Se acontecer de este fogo se apagar, eles devem ir até um santuário onde outros adoradores que praticam a mesma fé, também mantenham chamas deste mesmo fogo para reacendê-la. Eles nunca substituem esta chama por outra que não seja esta da qual eu falei. Para encontrar este fogo, às vezes eles fazem uma jornada de dez dias.
Foi assim que as pessoas deste país passaram a ser conhecidas como "adoradores do fogo" E eu asseguro que eles são numerosos. Tudo isto foi relatado a Messer Marco Polo pelos habitantes desta vila; e é a mais pura verdade. Finalmente eu posso dizer que um dos três magos veio de Saveh, outro de Hawah e o terceiro de Kashan.
Painel de azulejos na entrada da Igreja Gerog, em Isfahan 

🔎 Adaptado de conteúdos publicados nos sites: Bill Petro e Farsinet 

A origem persa dos símbolos natalinos

24/12/2022

Velas, frutas vermelhas e passas: símbolos da Yalda e do Natal! 
Salam amigos! O Natal se aproxima e nesta época, em quase todas as casas, ruas e estabelecimentos, encontramos a decoração típica que nos recorda esta data tão especial.  Mas, você já parou para pensar qual é a verdadeira origem dos símbolos natalinos? A cultura persa é repleta de tradições, símbolos e personagens que parecem nos responder a esta pergunta.

Primeiro, vamos notar a proximidade de duas datas com significados semelhantes. A Yalda (20 ou 21/12), do calendário persa e o Natal (25/12) do calendário gregoriano. A noite de Yalda representa a vitória da luz sobre a escuridão, o triunfo do bem sobre o mal. Estes conceitos são oriundos do Mitraísmo, uma religião trazida a Europa pelos gregos, após a derrota dos persas por Alexandre e durante o séc. IV, tornou-se a religião predominante na Europa, e a principal concorrente do cristianismo. 
O dia 25 de dezembro era tido também como o do nascimento do deus persa Mitra, o "Sol da Virtude". A data foi incorporada pela Igreja, que em vez de proibir as festividades pagãs, forneceu-lhes significados cristãos. As alusões dos padres da Igreja ao simbolismo de Cristo como "o sol de justiça" (Malaquias 4:2) e a "luz do mundo" (João 8:12) expressam esse conceito.

Os Magos da Pérsia previam a chegada de um salvador há cada 1000 anos
Na antiga Pérsia, a oposição entre as forças era muito importante, tendo a luz representada por Ahura Mazda e a escuridão por Ahriman, daí provavelmente vem a tradição das luzes de Natal, simbolizadas por velas e pisca-piscas. E a tradição zoroastriana, escrita no Zend Avesta prevê a chegada de três "salvadores" nascidos em um ciclo de 1000 anos concebidos de uma virgem, em um período de 3000 anos. E foi no segundo destes ciclos, que os três Magos, que eram provavelmente sacerdotes zoroastrianos (magi), viram o surgimento da era de Peixes, com o nascimento de Jesus no primeiro dia mais longo do ano, há 2000 anos atrás. (Veja o post sobre A provável origem persa dos Reis Magos).

Relevo na escadaria da Apadana, em Persépolis,  provavelmente as primeiras árvores de Natal
Se você visitar as ruínas de Persépolis, no Irã, irá ver a representação de várias árvores de Natal esculpidas em relevo nas escadarias da Apadana (salão de audiência do rei Dário). E se você odeia passas no arroz, já pode culpar os persas! O arroz com passas persa é chamado de Javaher Polo, que significa "arroz com jóias" e simboliza uma vida doce. As frutas frescas, passas e nozes, típicas da época natalina, também se encontram nas korsi das casas iranianas durante a noite de Yalda. Cada fruta tem um significado especial, por exemplo, as nozes simbolizando, abundância e prosperidade e as maçãs e melancias a saúde, etc.

E para finalizar, seriam o Papai Noel e o Amu Nowruz dos persas, a mesma pessoa?

Ator iraniano representando o Amo Nowruz, o bom velhinho do Ano Novo Persa


O Amu Nowruz, também chamado de Baba Nowruz, é um dos personagens do Ano Novo Persa, sua, figura  é um velhinho de longas barbas brancas, gorro, cajado e trajes verdes, que traz os presentes para as crianças nesta época. Eu iria ainda mais longe, buscando semelhanças no traje vermelho com gorro do Haji Firuz, outro personagem folclórico iraniano...

E de onde será que vem a roupa vermelha do Papai Noel? 
Independente de nossas crenças, o importante é confraternizar o momento, e unir nossos corações no desejo universal da paz que o Natal simboliza!

Fontes consultadas: Iran News Blog e Crystalinks

Shab-e Yalda: a noite mais longa do ano

21/12/2022


Hoje, os iranianos comemoram a Yalda, como é popularmente chamada, a noite mais longa do ano no Hemisfério Norte, ou seja, na véspera do Solstício de Inverno.  Dependendo da mudança do calendário, é comemorada entre 20 e 21 dezembro a cada ano.

Origem e significado da Yalda

A tradição da Shab-e Yalda (em persa "Noite de Nascimento") ou Shab-e Chelleh ("Noite dos Quarenta dias de inverno")  remonta aos tempos antigos. Os zoroastrianos acreditavam que era a noite do nascimento de Mitra, divindade persa da luz e da verdade.

Após a queda do Império Sassânida e com a chegada do Islã na Pérsia, o significado religioso do evento foi perdido, e como outros festivais zoroastrianos, Yalda tornou-se uma ocasião social da cultura iraniana, quando amigos e família se reúnem. No entanto, o costume de comer frutas frescas durante o  inverno é uma reminiscência do antigo ritual de invocar as divindades para pedir proteção.

O poeta  Saadi (séc. XIII) escreveu em seu Bustan: "A verdadeira manhã não virá, enquanto a noite de Yalda não se for".

Tradições da Yalda: Adivinhar a sorte através do Divan de Hafez

Costumes e tradições 

Nos dias atuais, embora a Yalda não seja um feriado oficial no Irã, as famílias continuam as tradições, assim como programas de rádio e televisão fazem uma programação especial.

Em muitas partes do país as famílias se reúnem e desfrutam de um bom jantar e muitas variedades de frutas e doces especialmente preparados para a ocasião são servidos. Em algumas regiões, acredita-se que  devem ser servidos 40 variedades de alimentos durante a cerimônia da Yalda. A fruta mais típica é a melancia, pois acredita-se que esta garante a saúde e o  bem-estar. 

Nesta noite, o membro mais velho da família faz preces, agradecendo a Deus pelas bênçãos do ano anterior, e reza pela prosperidade no ano que vem. Então ele corta a melancia e distribui a todos. 

Depois do jantar, as pessoas mais velhas contam histórias. E também, outro passatempo favorito desta noite é a adivinhação da sorte através do livro Divan de Hafez. Porém segundo a crença, ninguém deve tentar ler sua sorte mais de três vezes por esse livro, se não o poeta pode ficar bravo! 

Há outras crenças mágicas associada com a alimentação na noite de Yalda. Por exemplo, em Khorasan há uma crença de que quem come cenouras, peras, romãs e azeitonas verdes estará protegido contra a picada de insetos prejudiciais, especialmente escorpiões. Comer alho nesta noite protege contra dores nas articulações, etc.

Representação da Korsi,a tradicional mesa da Shab-e-Yalda

Os alimentos típicos da celebração da Yalda são normalmente colocados no korsi, uma peça de mobiliário tradicional semelhante a uma mesa baixa, coberto por cobertor. As pessoas se sentam em torno do Korsi e colocam as pernas debaixo do cobertor. Debaixo do korsi, o calor é gerado por meio de um aquecedor elétrico, a carvão ou a gás. 

Nesta noite, as noivas
recebem um presente do noivo
Outros costumes que fazem parte da Yalda são ficar acordado até a meia-noite, conversar, comer, ler poemas em voz alta, contar histórias e piadas, fumar ghelyoon (espécie de arguile) e dançar. 

Antigamente, quando não havia eletricidade, a decoração e iluminação das casas eram feitas com velas, mas poucos continuam a seguir esta tradição. Outra tradição que está desaparecendo consiste em presentear amigos e família com pacotinhos de frutas secas e castanhas. Antes da proibição islâmica do álcool, beber vinho também era parte desta celebração (porém no Irã, muitos continuam a adquirir bebidas alcoólicas por meio de contrabando ou produzindo em suas próprias casas).

Outra prática comum na noite de Yalda entre os jovens noivos é enviar uma bandeja contendo sete tipos de frutas e uma variedade de presentes para as suas noivas. Em algumas regiões, a moça e sua família retribuem o favor enviando presentes de volta para o rapaz.

Yalda no Irã de hoje

A noite de Yalda foi oficialmente adicionada à Lista de Tesouros Nacionais do Irã em uma cerimônia especial em 2008.

Fora do Irã, muitas famílias tradicionais também comemoram a Yalda de muitas maneiras diferentes. Alguns se vestem com trajes típicos e fazem até Korsi improvisado para relembrar as tradições de sua terra natal.  Enquanto outros, apenas dão um telefonema  desejado um feliz Yalda feliz ou compartilham seus votos nas redes sociais.

Desejo a todos os amigos da Pérsia, uma feliz Shab-e-Yalda!
شب یلدا مبارک

🔗 Fonte: Wikipedia|Yalda

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