Está difícil... mas, precisamos falar sobre o que está acontecendo no Irã

23/09/2022


Salam amigos! Normalmente falo somente sobre temas de arte e cultura do Irã, aqui na minha página. Mas há dias, acompanho nos stories do Instagram dos meus amigos iranianos e das minhas páginas favoritas, diversas manifestações de revolta, tristeza e indignação sobre a morte da jovem Mahsa Amini. 


Por todo o Irã, estão acontecendo protestos, e infelizmente, há dezenas de mortos e centenas de feridos nos confrontos entre a polícia e os manifestantes. E desde quarta-feira (21/09), as mídias sociais como o WhatsApp e o Instagram estão bloqueados no Irã. 


Por esse motivo, em solidariedade ao nossos queridos amigos iranianos, especialmente às corajosas mulheres que lutam por seus direitos, farei uma pausa em minhas publicações normais.  


Por experiências anteriores, evito postar conteúdos negativos sobre o Irã no meu Feed, porque infelizmente há muitos comentários de ódio, que não trazem nada de construtivo para o meu trabalho. Mas sigo atenta às notícias e em breve, trarei alguma postagem pertinente.

O Dia da Literatura Persa e do Poeta Shahriar

18/09/2022

 18 de setembro é o Dia da Literatura Persa. Esta data também celebra um dos mais notáveis ​​poetas iranianos.

Salam amigos! No dia no dia 27 do mês de Shahrivar do calendário iraniano (que este ano corresponde ao dia 18 de setembro no calendário gregoriano), é celebrado o Dia da Literatura e Poesia Persa. Esta data também marca o aniversário da morte de um dos mais notáveis ​​poetas iranianos, Mohammad-Hossein Behjat Tabrizi, conhecido como Shahriar.


Shahriar, pertence a época dos poetas iranianos contemporâneos. Ele nasceu em 1906 em Tabriz, capital da atual província do Azerbaijão Oriental, no Irã.  Recebeu educação preliminar na sua cidade antes de se mudar para a capital Teerã, onde primeiro estudou na famosa escola Dar ul-Funun (politécnica) e depois em uma faculdade de medicina.


Consumido por um amor não correspondido, ele desistiu da medicina pouco antes da formatura e trabalhou como bancário por anos. Mesmo assim, Shahriar se destacou na escrita de poesia, baseando-se em muitas de suas próprias memórias para criar peças literárias.


Oh lua, você conforta meu coração dolorido esta noite
Afinal, oh lua, na minha angústia você compartilha
O lento declínio de sua vida, eu sei, e só eu sei
Como, ao se separar do sol, você sofre

(Trecho do poema Ney-e maḥzun de Shahriar, 1967)


Fotografia do poeta Shahriar - Domínio público. 

Ele compôs poemas nas línguas persa e turco azeri, por isso é celebrado como uma figura influente na literatura persa e azerbaijana. Publicou seu primeiro livro de poemas em 1929, com prefácios de Mohammad Taqi Bahar, Saeed Nafisi e Pejman Bakhtiari.


Sua obra mais famosa é Heidar Babaya Salam (1954), um poema dedicado à sua aldeia natal, traduzido para mais de 30 idiomas. Suas principais influências são o poeta clássico persa Hafez e Khasta Qasim, um poeta do azeri do século XVIII.


As obras de Shahriar também eram muito populares entre as pessoas comuns porque ele usava amplamente a linguagem coloquial em seus poemas, o que tornava sua compreensão mais fácil e acessível. 


Ao contrário de muitas outras figuras de seu tempo, Shahriar raramente se envolvia em problemas políticos e ideologias. Ele era, no entanto, conhecido por seu nacionalismo ávido.


Shahriar morreu em 18 de setembro de 1988 em Teerã, aos 82 anos. Seu corpo foi transferido para sua cidade natal, Tabriz e foi enterrado no  Maqbarat-o-shoara (Mausoléu dos Poetas). O aniversário da morte de Shahriar foi declarado o Dia da Literatura e Poesia Persa para homenagear sua contribuição à poesia persa contemporânea.

 Busto do poeta Shahriar em frente ao Maqbarat-o-shoara (Mausoléu dos Poetas) em Tabriz - Imagem do site: See Iran


Heydar Baba, quando o trovão ressoa nos céus,
Quando as inundações rugem pelas encostas das montanhas,
E as meninas fazem fila para vê-lo passar,
Envie minhas saudações aos membros da tribo e ao povo da aldeia
E lembre-se de mim e do meu nome mais uma vez.

Heydar Baba, quando os faisões voam,
E os coelhos correm do arbusto florido,
Quando seu jardim explodir em plena floração,
Que aqueles que se lembram de nós vivam muito
E que nossos corações entristecidos se alegrem.

Quando o vento de março derruba os caramanchões,
Prímula e gotas de neve aparecem da terra congelada,
Quando as nuvens esvoaçarem suas camisas brancas,
Vamos ser lembrados mais uma vez
Deixe nossas tristezas subirem como uma montanha.

Heydar Baba, deixe suas costas levarem a marca do sol.
Deixe seus córregos chorarem e seu rosto brilhar com sorrisos.
Deixe seus filhos montarem um buquê
E envie para nós quando o vento soprar assim
Para que, talvez, nossa sonolenta fortuna seja despertada.

Haydar Baba, que suas sobrancelhas sejam brilhantes.
Que você seja cercado por riachos e jardins.
E depois de nós, que você viva muito.
Este mundo está cheio de infortúnios e perdas.
O mundo está repleto de pessoas despojadas de filhos e órfãs.

Heydar Baba, meus passos nunca cruzaram sua passagem.
Minha vida foi gasta, tornando-se tarde demais para visitá-lo
Eu não sei o que aconteceu com todas aquelas lindas garotas.
Nunca soube de becos sem saída, de caminhos  "sem volta".
Eu nunca soube sobre separação, perda e morte.

 
 (Trecho do poema  Heidar Babaya Salam, 1954, de Shahriartradução livre adaptada do inglês)

🔎FontesEncyclopaedia Iranica: Shahryar, Mohammad Hosayn |Iran Press: National Day of Persian Poetry and Literature (Acessos em: 17/09/22)


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Setembro, o mês de Rumi

14/09/2022

Setembro, mês de Rumi

       "O mundo é apenas Um, venci o Dois." (Rumi)


Setembro é o mês de aniversário de Jalaluddin Mohammad Balkhi (1207-1273), mais conhecido no Ocidente como Rumi, no Irã como Molavi e na Turquia como Mevlana.

Rumi  nasceu na Pérsia e viveu a maior parte da sua vida em Konya na Turquia, onde fundou a famosa ordem dos dervixes rodopiantes. Brilhante teólogo, poeta e místico Sufi, Rumi passou por uma transformação espiritual em 1244, após o encontro com Shams de Tabriz. 

Em uma época atormentada por guerras e calamidades, Rumi defendia a tolerância ilimitada, a bondade, a caridade e a consciência de si por meio do amor. Seus ensinamentos pacíficos e tolerantes impactaram pessoas de todas as religiões e até hoje continuam influenciando pessoas em todo o mundo.

Este mês, vamos conhecer um pouco mais sobre a vida, ensinamentos, obra e influência de Rumi na cultura contemporânea.


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Dicas de livros para aprender persa

13/09/2022

Livros de língua persa

Um dos maiores desafios para quem quer estudar persa no Brasil, é encontrar livros didáticos e dicionários. Mesmo nas maiores livrarias, as publicações existentes não se encontram facilmente disponíveis.

Além disso, ainda não existe nenhum livro português – persa que tenha sido publicado por uma editora brasileira. Os únicos livros que eu encontrei disponíveis, no site da Amazon, são publicações estrangeiras de autores não-iranianos.

Em compensação, encontramos  livros em inglês – persa, para todos os gostos e bolsos: livros para quem quer aprender o alfabeto, gramática, ampliar o vocabulário, guias práticos para viagens, do básico ao intermediário. Compartilho aqui algum desses achados: 


  • LIVROS EM PORTUGUÊS - PERSA

 

Por Andrey Taranov (T&P Books). 

Este dicionário contém mais de 9000 palavras de uso corrente. Esta edição revista em Português brasileiro, contém 256 tópicos. Satisfaz as necessidades dos iniciantes e dos alunos avançados de línguas estrangeiras. Também pode ser usado por estrangeiros para aprender Português.
 

📗 Guia de Conversação Português-Persa e vocabulário temático 3000 palavras

Por Andrey Taranov (T&P Books). 

Este guia de conversação irá ajudá-lo na maioria das situações em que precise perguntar alguma coisa, obter direções, saber quanto custa algo, etc. Pode te ajudar também a resolver situações de difícil comunicação onde os gestos simplesmente não ajudam.

  • LIVROS EM INGLÊS-PERSA



Por Narguess Farzad (Teach Yourself)

Para quem está procurando um curso completo de persa começando do zero para estudar de forma autodidata, este é considerado um dos melhores materiais. Estruturado em unidades temáticas, com ênfase na comunicação e situações cotidianas. Possui suporte em áudio.

 

Por Nazanin Mirsadeghi (Bahar Books

Este livro destina-se a iniciantes que querem aprender o alfabeto persa. Com exercícios visuais, fornece uma descrição clara de cada letra persa, incluindo seu nome, som e forma. Também contém instruções para escrever números, exemplos de fontes e exemplos de estilos típicos de caligrafia persa.




Por Saeid Atoofi (Tuttle Publishing)

Perfeito para estudantes autodidatas, seja por lazer, viagem ou negócios, este livro adota lições claras e fáceis de seguir. Ao final do curso, você poderá entender frases curtas, expressar suas necessidades básicas e ler e escrever o alfabeto persa. Possui suporte em áudio.
 
 


Por Yavar Dehgani (Lonely Planet). Este guia de bolso é um dos mais famosos e mais utilizados pelos viajantes do mundo todo. Palavras e frases essenciais que abordam desde a chegada no aeroporto, hospedagem em um hotel, como pechinchar em um bazar, refeições, passeios, como se comportar em sua viagem ao Irã e muito mais.

📗 Clique nos links  para comprar pela Amazon (o blog Chá-de-Lima da Pérsia recebe uma porcentagem das vendas pelos links neste post).

Se você conhece mais algum livro para aprender a língua persa ou se já tem algum desses livros escreva sua avaliação nos comentários! 
 

As Igrejas Históricas do Irã

05/09/2022


Você sabia que atualmente há mais de 200 igrejas históricas no território iraniano? A maioria delas foi construída em torno do séc. XIV, mas isso não significa que não havia igrejas no país antes desse período.

As igrejas mais antigas do Irã, fazem parte dos Conjuntos monásticos armênios (nomeados como Patrimônio mundial pela UNESCO), se situam no noroeste do país. Entre as mais importantes estão a  Tatavous Vank (Mosteiro de São Tadeu), que também é chamada de Qara Kelisa (Mosteiro Negro),  na província do Azerbaijão Ocidental, e a igreja conhecida como San Stepanus (Santo Estevão), que fica 24 km ao sul da cidade de Jolfa, na província do Azerbaijão Oriental.


No período Safávida (1501-1736), durante o reinado de Shah Abbas I, as  políticas de tolerância fizeram com que um número considerável de cristãos da Armênia e do Azerbaijão se estabelecesse especialmente em Isfahan e outras regiões do Irã. Em 1606, um  novo bairro chamado Jolfa foi construído às margens do rio Zayandeh em Isfahan e tornou-se o principal local de residência desses migrantes, que aí construíram várias igrejas. 


Durante o período Qajar (1794 -1925), a vinda de muitos europeus ao Irã levou ao florescimento de outras igrejas, além das que foram construídas anteriormente. Algumas destas igrejas ainda existem e são consideradas monumentos de grande valor artístico e histórico.


A estrutura das igrejas no Irã segue mais ou menos o padrão da arquitetura iraniana, ou são uma mistura de estilos iranianos e de outros locais. 


O edifício geralmente, tem um grande salão para orações; sua parte principal, é elevada como um estrado, adornada com  quadros ou imagens de figuras religiosas. Nesta parte, que também serve de altar,  as velas são acesas e a missa  é conduzida pelo padre. A congregação fica na plataforma de frente para o padre; isso é semelhante à prática muçulmana de orar de frente para o nicho da mesquita. Enquanto a missa está sendo rezada, as pessoas ficam de pé, ajoelhadas ou sentadas, dependendo do que os ritos exigem.


Conheça algumas das igrejas históricas mais importantes do Irã: 


Mosteiro de São Tadeu (Qara Kelisa)

Mosteiro de São Tadeu, ou Qara Kelisa  - Crédito: Soheil Callage, CC BY-SA 4.0

Segundo a tradição, São Judas Tadeu, apóstolo de Jesus, foi martirizado na Pérsia. Este santo é venerado pela igreja armênia e primeira a igreja dedicada a ele foi construída no ano 68 d.C. no local, situado atualmente ao sul de Maku, na província do Azerbaijão Ocidental. 


Inicialmente, o edifício consistia em um pequeno salão com uma cúpula em forma de pirâmide no topo e 12 fendas, semelhantes aos edifícios islâmicos da era mongol. A parte principal desta estrutura seguiu a arquitetura bizantina (romana oriental), incluindo as franjas horizontais e paralelas feitas de pedras brancas e pretas no interior e pedras pretas na fachada exterior.


Como a fachada é dominada por pedras pretas, a igreja foi anteriormente chamada de Ghara Kelissa (ou "mosteiro negro", em persa). Durante o reinado do governante Qajar, Fath Ali Shah (1797-1834), novas estruturas foram adicionadas à igreja de São Tadeu por ordem de Abbas Mirza, o príncipe herdeiro, e governador do Azerbaijão. 


As reformas resultaram na ampliação do salão de orações e a pequena igreja antiga foi convertida em uma plataforma de oração, contendo o altar, os ornamentos sagrados e um local onde o padre poderia conduzir as orações. A torre do sino e a entrada da igreja estavam localizadas em um lado do novo edifício, mas infelizmente esta parte permaneceu inacabada.


Outras adições feitas à igreja de São Tadeu por ordem de Abbas Mirza consistem em imagens em relevo dos apóstolos na fachada e decorações de flores, arbustos, figuras de leão e sol e arabescos, todos feitos por artesãos iranianos. A arquitetura do interior da igreja é uma combinação de elementos bizantinos, armênios e georgianos. Ao lado da grande igreja, foram construídas câmaras especiais no pátio para abrigar peregrinos e eremitas.


Enquanto isso, devido aos distúrbios políticos na região durante os períodos seguintes, a igreja foi abandonada, mas alguns pequenos restauros foram realizados nos anos recentes. Todos os anos, durante uma época especial (no verão), muitos armênios de todas as partes do Irã viajam para este local para oração e peregrinação. No resto do ano, no entanto, a igreja permanece vazia, pois fica numa região montanhosa de difícil acesso. 


Mosteiro de Santo Estevão 

Mosteiro de Santo Estevão, província do Azerbaijão Oriental  - Crédito:  By farrokhi - CC BY 2.0


A igreja de São Estevão (em persa Kelisa-ye San Estepanus), é uma das igrejas mais antigas localizada a 24 km ao sul da cidade de Jolfa, na província do Azerbaijão Oriental.


O edifício também possui uma cúpula piramidal, no mesmo estilo da igreja de São Tadeu e sua  estrutura geral se assemelha principalmente à arquitetura armênia e georgiana. O interior é adornado com belas pinturas de Honatanian, um renomado artista armênio. 


Hayk Ajimian, um estudioso e historiador armênio, registrou que a igreja foi originalmente construída no século IX d.C, mas terremotos repetidos na região danificaram completamente a estrutura anterior. A igreja foi reconstruída no período safávida, durante o governo de Shah Abbas II.


Igreja de Santa Maria em Tabriz

Igreja de Santa Maria, em Tabriz - Imagem do site: Saye360


Esta igreja foi construída no século XII e em suas crônicas de viagem, Marco Polo, o famoso viajante veneziano que viveu durante o século XIV, mencionou esta igreja em seu caminho para a China.

A lápide mais antiga desta igreja remonta ao século XVI, a decoração, o tipo de arco e as características arquitetônicas, podem ser atribuídas ao século XIII e ao período mongol Ilkhanida. De acordo com uma inscrição, a igreja  (assim como toda a cidade) foi destruída em um terremoto desastroso em 1780 , e o atual edifício foi construído em suas ruínas de 1782 a 1785 em estilo safávida.


Arquitetura

Além das  três igrejas citadas acima, ainda  há outras nas províncias do Azerbaijão, como a antiga igreja construída na aldeia de Modjanbar a 50 km de Tabriz e a grande igreja de São Sarkis, na cidade de Khoy. Durante o reinado de Shah Abba (século XVII), foi construída a  Igreja de São Gevorg (São Jorge), na aldeia de Haft, perto da cidade de Salmas. E na aldeia de Derishk nas proximidades de Shapur, também há uma igreja com uma cúpula admirável.



Igrejas históricas em Jolfa de Esfahan




Catedral Vank no bairro armênio de Jolfa em Isfahan - Crédito: Wikimedia Commons /Mike Gadd 


Das igrejas históricas do Irã, sem dúvida a mais importante está localizada no bairro de Jolfa em Isfahan. É a antiga Catedral Vank, (vank significa "catedral" na língua armênia). 


Este grande edifício foi construído durante o reinado de Shah Abbas I, e reflete completamente a arquitetura iraniana. Possui uma cúpula de tijolos de dupla camada, que é muito semelhante àquelas construídas pelos safávidas. O interior da igreja é decorado com pinturas gloriosas e belas miniaturas que representam tradições bíblicas e imagens de anjos e apóstolos, os quais foram executados em uma mistura de estilos iraniano e italiano. O teto e as paredes são revestidas com azulejos da época safávida.


Em um canto do pátio da grande catedral, escritórios e salas foram construídas para acomodar os convidados, o arcebispo de Isfahan e sua comitiva, bem como outras autoridades religiosas armênias. O complexo da igreja também inclui um museu que está localizado em um edifício separado. O museu exibe  registros históricos e relíquias, e os decretos de reis iranianos que remontam ao tempo de Shah Abbas I, além de uma interessante coleção de obras de arte.


Isfahan também tem outras igrejas históricas, das quais a mais importante  é a Igreja de Beit-ol Lahm (Belém) também conhecida como Bedkhem, na Avenida Nazar. Há também a igreja de Santa Maria, na Praça Jolfa Praça e a Igreja Yerevan, no quarteirão homônimo.

Igreja Bedkhem (Belém) em Isfahan - Crédito: Antoine Taveneaux, CC BY-SA 4.0


Outras igrejas históricas no Irã 


Em Shiraz, na parte leste da Avenida Ghaani, em um bairro chamado Sare Jouye Aramaneh, uma igreja armênia sobreviveu desde a época de Shah Abbas II. Sua estrutura principal está no meio de um jardim, é composta por uma sala de oração com um teto alto plano e várias células que flanqueiam os dois lado do edifício. O teto é decorado com pinturas originais da época safávida e as células adjacentes são adornadas com nichos e arcos e moldagem de gesso, também no estilo safávida. Esta igreja é considerada um monumento histórico em Shiraz e definitivamente merece uma visita.


Igreja de São Simão, em  Shiraz -  Crédito: Domínio Público via Wikimedia Commons

A Igreja de São Simão, em Shiraz  é uma outra  relativamente importante, mas não tão antiga. O grande salão é completamente feito em estilo iraniano, enquanto o telhado é romano. Pequenos cofres em forma de barril, obras de arte  iranianas e vitrais enfeitam a igreja. Em Ghalat, a 34 km de Shiraz há outra igreja chamada "Glória de Cristo". Este edifício remonta ao período Qajar e está rodeado por jardins encantadores.


Em Teerã, a  Igreja de São Tadeu e São Bartolomeu, construída em 1768, está localizada no distrito de Meidan Chaleh, um dos mais antigos bairros da capital iraniana. Ela fica ao sul do Mausoléu de Seyed Esmail. A igreja mais antiga de Teerã, foi construída durante o reinado do rei Qajar, Fath Ali Shah. O edifício tem um teto em forma de cúpula e quatro alcovas, um altar e uma cadeira especial reservada para o líder religioso armênio. O vestíbulo que leva à igreja contém os túmulos de importantes cristãos não-iranianos que morreram no Irã.

Igreja de São Tadeu e São Bartolomeu, em Teerã - Foto do site: Your Tour Info


No Sul do Irã, em Bushehr, há uma igreja do período Qajar que é um belo exemplar da arquitetura iraniana. Todas as janelas são modeladas seguindo o modelo dos antigos edifícios iranianos e os painéis coloridos são obras de arte puramente iranianas. 


Há também muitas outras igrejas em Urmia, e nas aldeias vizinhas às cidades de  Arasbaran, Ardabil, Maragheh, Naqadeh, Qazvin, Hamedan, Khuzestan, Chaharmahal, Arak, na velha aldeia de Vanak  ao norte de Teerã, etc. Porém, essas igrejas, estão todas abandonadas e possuem pouca importância artística.

🔎 Fonte: Iran Chamber: Historical Churches in Iran (Acesso em: 05/09/2022)


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Estilos de Danças Iranianas

01/09/2022


"Vem,
Te direi em segredo 
Aonde leva esta dança" 
- Jalaluddin Rumi

Salam amigos! No post de hoje vamos falar sobre os diferentes estilos de danças iranianas. 

O termo persa para dança é bâzi embora este mesmo termo signifique literalmente "jogar ou praticar esporte". Mas, o termo raghs é o mais popular para dança na linguagem persa de hoje. E não é de se estranhar que grandes poetas persas como Rumi e Hafez citaram frequentemente a dança em seus poemas.

Em cada região do Irã, o estilo de dança encontrado é diferente, de acordo com a cultura e língua dos povos locais. Por exemplo, a dança curda é chamada  Halparke e a dança dos Luris se chama Bākhten ou Bāzi.

Jovens curdos iranianos dançando Halparke

O estilo de dança encontrado na maioria das cidades e entre os iranianos da diáspora é chamado de raghs ou gher dadan e é o único estilo executado por todos os iranianos, independentemente da etnia. A dança em si é altamente individualista e conta com performances de improvisação e solo assim como todas as outras formas de arte iranianas, como a música, etc.

A raghs, enfatiza os movimento da parte superior do corpo, junto com as mãos, ondulações de quadril e expressões faciais. Embora muitas vezes comparada a dança do ventre árabe, a raghs iraniana é muito distinta, devido aos seus movimentos mais lentos e circulares.A gher dadan  possui um ritmo mais rápido e ambas as partes superior e inferior do corpo são enfatizadas.

Na maioria das vezes, a raghs é executada em  reuniões familiares, onde os convidados se sentam em um círculo e um casal dança no meio, às vezes acompanhado por um donbak ou outro instrumento de percussão. A Raghs também é usada mais formalmente em vários eventos sociais, como casamentos e datas comemorativas como o Nowruz.

Baba Karam 


Baba Karam ou Jaheli

Entre as danças populares urbanas podemos citar o Baba Karam, uma dança tipicamente masculina, que hoje é também executada por mulheres, que dançam com chapéus pretos e echarpes. Este estilo de dança também é referido como Jaheli, ou seja,  um personagem iraniano que é o típico "valentão do bairro" que vai a casa de chá para se encontrar com seus amigos também Jahelis. 

Algumas Danças Folclóricas e Tradicionais


Dança Azeri


Os azeris habitam o noroeste do Irã, e a capital da província do Azerbaijão é a cidade de Tabriz. As danças do Cáucaso são caracterizadas por belos movimentos de mãos e braços e muitas vezes por pequenos passos deslizantes. As dançarinas  usam saia longas, que evocam a ilusão de que estão flutuando sobre o chão. As danças "às vezes melancólicas, às vezes animadas" são sempre líricas e expressam o orgulho natural das mulheres caucasianas. Antigamente, as mulheres dançavam apenas em casamentos e outras festividades.

 Dança Gilaki


Gilan é uma região do norte do Irã na costa sul do Mar Cáspio.  Esta é uma região pantanosa, onde é cultivado o trigo e, especialmente grande variedade de arroz. As danças típicas dessa região representam os rituais da colheita, semeadura celebrando a fartura. Um dos estilos mais conhecidos é o da cidade de Ghasemabad. >> Veja o vídeo.

Dança Bandari


Os habitantes do Golfo Pérsico viviam originalmente de pesca e extração de pérolas. Devido à sua localização geográfica, sua cultura, incluindo trajes, música e dança, é influenciada por muitas culturas circundantes: além da iraniana,  como árabes, indianos e africanos. A dança é acompanhada pela gaita de foles e palmas rítmicas. >> Veja o vídeo.

 Dança Qajar

Estas danças pertencem a um gênero urbano chamado Kereshme ou Naz  que significa "flertar" e é talvez a característica mais importante das danças sociais urbanas do Irã. Expressões faciais, mímica, movimentos de mão requintados e movimentos fluidos dos quadris, ombros e braços também desempenham um papel central. Essa dança evoca a atmosfera dos entretenimentos da corte durante o período da dinastia Qajar (1796-1925).

Dança Qashqai
Estes são apenas alguns estilos dos numerosos existentes, entre as danças iranianas. Poderíamos citar também outros belíssimos estilos como as danças dos nômades Qashqai e Bakhtiaris...  mas em futuras postagens serão abordados outros estilos de danças  clássicas, populares e tribais com mais detalhes.

🔎Sites consultados: 

Concurso para criação de logotipo: 120º Aniversário das relações diplomáticas Irã-Brasil

27/08/2022

Embaixada do Irã promove concurso cultural em celebração aos 120 anos das relações diplomáticas com o Brasil. Projeto vencedor receberá um prêmio de R$ 5.000.



A Embaixada do Irã lançou um concurso cultural para criação do logotipo, em comemoração ao 120º Aniversário das Relações Diplomáticas entre Irã e Brasil, que será celebrado em 2023.


O logotipo vencedor será utilizado pela Embaixada para identificar a data comemorativa em documentos e materiais de divulgação eletrônicos e impressos, como cartazes, folders, banners, conteúdos multimídia, sites, panfletos, entre outros.


Regras

Podem participar do concurso pessoas físicas, artistas visuais, ilustradores, designers gráficos e áreas afins, maiores de 18 anos e residentes no Brasil.


A inscrição será individual e cada participante poderá concorrer com apenas um projeto.


As inscrições para o concurso serão gratuitas. É necessário fazer uma pré-inscrição através do formulário disponível no link: https://bit.ly/IranBrazil_Form até 15 de setembro de 2022.


O prazo para envio das propostas dos logotipos pelos candidatos selecionados será de 25 de setembro a 25 de outubro de 2022.


Todo o processo de elaboração do logotipo deverá ser baseado no tema “120º Aniversário das Relações Diplomáticas Irã-Brasil”, nos conceitos, recomendações e aspectos técnicos contidos no edital do concurso.


A avaliação das propostas para o logotipo oficial será realizada pela comissão organizadora.


O resultado será divulgado em novembro de 2022 no site da Embaixada da República Islâmica do Irã no Brasil e suas mídias sociais.


O autor do projeto vencedor receberá como prêmio o valor de R$ 5.000 (cinco mil reais).


Os participantes que enviarem as propostas mais bem avaliadas pela comissão organizadora receberão Certificado de Participação, emitidos pela Embaixada.


Para mais informações, entre em contato pelo e-mail: iranbrazil120@outlook.com


🔎Confira o regulamento

🖺Inscreva-se pelo formulário

Quem foi o erudito persa Ibn Sina (Avicena)

23/08/2022



Salam amigos! No Irã, no 1º dia do mês de Shahrivar no calendário persa (que este ano corresponde a 23/08 do nosso calendário) foi comemorado o Dia do Médico e também o aniversário do célebre polímata, filósofo e médico persa Ibn Sina, mais conhecido no ocidente como Avicena.

Abu Ali Ibn Sina (980-1037), foi uma das figuras mais influentes da história nos estudos sobre o corpo humano e em diversas áreas do conhecimento. Com experiência em muitos campos, da medicina e astronomia à matemática e teologia, Ibn Sina foi um polímata e também é conhecido como o pai da medicina moderna.

Nascido em Bukhara no atual Uzbequistão Ibn Sina cresceu em uma família próspera. Seu pai era um famoso governador e estudioso da região. Ainda muito jovem recebeu extensa educação no campo da ciência e filosofia. Ele era conhecido por sua memória e inteligência surpreendentes, tendo memorizado o Alcorão aos 10 anos e completado seus estudos em medicina aos 16 anos de idade.




Escreveu 450 livros sobre física, filosofia, astronomia, matemática, lógica, poesia e medicina, incluindo o famoso Canon da Medicina, publicado em 1025, que até hoje é considerado uma referência neste campo.

Ibn Sina argumentou que um período de quarentena de 40 dias era essencial para enfraquecer a propagação de infecções contagiosas. Ele chamou esse método de al-Arba’iniya, que conhecemos hoje como quarentena.

Sua segunda obra-prima é O Livro da Cura, que é considerada a maior enciclopédia escrita por um homem, uma obra-prima sobre ciência, religião e filosofia.

Aos 32 anos, ele tratou o governante do estado de buída Shams al-Dawla, e quanto este recuperou sua saúde e força, nomeou Ibn Sina  como seu vizir. Mas quando o rei faleceu, Ibn Sina recusou a oferta de seu filho que queria que ele continuasse no posto imperial. O príncipe irritado o condenou a quatro meses de prisão. Graças ao seu assistente Jurjani, ele conseguiu escapar. Após sua libertação, Ibn Sina foi para Isfahan, onde se estabeleceu sob a proteção do governante Ala al-Dawla.

Ibn Sina faleceu em 1037 em Hamadan, no Irã onde se localiza atualmente o seu mausoléu. O complexo construído em 1952, abriga um museu e biblioteca. Sua torre é inspirada na arquitetura do monumento Qonbad- e-Qabus, construído no período em que Ibn Sina viveu.


Mausoléu de Ibn Sina, em Hamedan, Irã (Foto: Nick Taylor, CC BY 2.0 )

A influência de Ibn Sina foi tamanha que o  famoso poeta italiano Dante Alighieri mencionou seu nome em sua peça  A Divina Comédia no século XIV. Além disso, o retrato de Ibn Sina ainda é encontrado nas paredes de muitas faculdades de medicina em toda a Europa, uma cratera na lua leva seu nome e vários países cunharam dinheiro, selos e medalhões em comemoração a este grande erudito persa.


📚 Dicas de livros:

O Intelecto em Ibn Sina (Avicena) (2018)