"O outro Irã"

11/09/2019

Foto: Sidney Dupeyrat
Por Sidney Dupeyrat de Santana  
Quando vamos aos grandes centros turísticos internacionais, sabemos exatamente o que nos espera. Nos EUA, letreiros e muros de Nova Iorque e Miami berram nos nossos ouvidos: "Compre, consuma!". A França nos oferece um clima romantizado e blasé, perfeitamente simbolizado pelos bairros centrais de Paris. São lugares para turistas, com imagens construídas e mantidas exclusivamente para atender as nossas expectativas. Ao visitar esses destinos, recebemos justamente aquilo que nos é prometido: não nos decepcionamos e jamais ficamos com menos do que o esperado. Em contrapartida, não temos o fator surpresa, o processo de aprendizado e inserção cultural é prejudicado por uma débil convivência com os locais que geralmente se resume à compra e venda de mercadorias. O Irã não poderia ser mais diferente. Influenciados pelos grandes veículos de comunicação, temos uma tendência a pensar o país persa como um local fundamentalista, perigoso, inóspito e triste. Fomos e somos bombardeados constantemente por notícias de tom negativo como o governo religioso, a questão nuclear e as diferenças com os Estados Unidos e Israel. Mas a realidade é completamente distinta. 
 Foto: Sidney Dupeyrat
O melhor do Irã, sem sombra de dúvidas, é o seu povo. Descobrir os iranianos é reconsiderar todos os seus conceitos de amizade e hospitalidade. É confirmar que realmente existem pessoas que buscam ajudar o próximo sem receber nada em troca - mesmo esse próximo sendo um completo desconhecido. É conhecer indivíduos ávidos por estabelecer contato com o diferente. É perceber in loco que sanções econômicas atingem pessoas e não governos. É ser saudado com um sorriso nos lábios. E se despedir com lágrimas nos olhos. Apesar do patrimônio histórico gigantesco, da riqueza cultural sem igual e das belezas geográficas, é o lado humano que torna o Irã um país tão único. E a ser descoberto pela comunidade internacional. Visitar o grandioso Palácio Golestan em Teerã e nele ver poucos estrangeiros é ter a certeza de que algo está errado. Muitos dizem que o Irã se fechou para o mundo a partir de 1979, mas a verdade é que foi o mundo que virou as costas para o Irã. Que ele acorde a tempo de ser surpreendido por este lugar tão magnífico. 
Este artigo foi enviado gentilmente por Sidney Dupeyrat de Santana,  fotógrafo e artista visual que vive no Rio de Janeiro e viajou para o Irã em 2013. Aguardem os próximos relatos do Sidney, em breve aqui no blog! 

Site: www.sidneydupeyrat.com
Instagram: @sidneydupeyrat


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2 comentários:

  1. Um excelente texto! Aguardo ansiosamente os próximos.

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    1. Salam Vahid! Obrigada pelo comentário! Escrito por um conterrâneo seu aí do RJ. Aguarde que os próximos também são ótimos!

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